Síria: após queda de Assad e 14 anos de guerra, governo forma Parlamento provisório sem voto direto
A Síria vive um momento decisivo em sua reconstrução política: as instâncias eleitorais do país iniciaram, neste fim de setembro, o processo de seleção dos membros do novo Parlamento de transição. A medida marca a primeira tentativa de reorganização institucional desde a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, após mais de cinco décadas de ditadura e uma guerra civil devastadora.
A Síria vive um momento decisivo em sua reconstrução política: as instâncias eleitorais do país iniciaram, neste fim de setembro, o processo de seleção dos membros do novo Parlamento de transição. A medida marca a primeira tentativa de reorganização institucional desde a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, após mais de cinco décadas de ditadura e uma guerra civil devastadora.
O novo Parlamento, chamado Assembleia Popular, será composto por 210 membros, dos quais 140 serão escolhidos por um colégio eleitoral formado por comitês locais — e não por voto direto. Os outros 70 serão nomeados diretamente pelo presidente interino Ahmed al-Sharaa. A ausência de partidos políticos, campanhas públicas e participação popular direta levanta dúvidas sobre a legitimidade do processo.
Segundo o governo provisório sírio, a eleição indireta é a única alternativa viável diante da destruição institucional, do deslocamento de milhões de cidadãos e da falta de documentos oficiais. "A realidade na Síria não permite eleições tradicionais", afirmou o governo em comunicado divulgado em junho.
Regiões excluídas e tensões internas
A votação, marcada para 5 de outubro, não ocorrerá em todas as regiões. Províncias como Sueida (dominada pela minoria drusa) e partes de Raqqa e Hassakeh (sob controle curdo) foram excluídas por "questões de segurança" — embora analistas apontem que o verdadeiro motivo seja a ausência de controle do governo central sobre essas áreas.
A Administração Autônoma Curda (AANES) criticou duramente o processo, afirmando que ele "não representa a vontade do povo sírio" e que a justificativa de insegurança serve para negar direitos políticos a mais de cinco milhões de cidadãos.
(Com agências)