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Síria: após queda de Assad e 14 anos de guerra, governo forma Parlamento provisório sem voto direto

A Síria vive um momento decisivo em sua reconstrução política: as instâncias eleitorais do país iniciaram, neste fim de setembro, o processo de seleção dos membros do novo Parlamento de transição. A medida marca a primeira tentativa de reorganização institucional desde a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, após mais de cinco décadas de ditadura e uma guerra civil devastadora.

29 set 2025 - 16h15
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A Síria vive um momento decisivo em sua reconstrução política: as instâncias eleitorais do país iniciaram, neste fim de setembro, o processo de seleção dos membros do novo Parlamento de transição. A medida marca a primeira tentativa de reorganização institucional desde a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, após mais de cinco décadas de ditadura e uma guerra civil devastadora.

O presidente interino da Síria, Ahmed al-Charaa, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, em 24 de setembro de 2025.
O presidente interino da Síria, Ahmed al-Charaa, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, em 24 de setembro de 2025.
Foto: © AP/Heather Khalifa / RFI

O novo Parlamento, chamado Assembleia Popular, será composto por 210 membros, dos quais 140 serão escolhidos por um colégio eleitoral formado por comitês locais — e não por voto direto. Os outros 70 serão nomeados diretamente pelo presidente interino Ahmed al-Sharaa. A ausência de partidos políticos, campanhas públicas e participação popular direta levanta dúvidas sobre a legitimidade do processo.

Segundo o governo provisório sírio, a eleição indireta é a única alternativa viável diante da destruição institucional, do deslocamento de milhões de cidadãos e da falta de documentos oficiais. "A realidade na Síria não permite eleições tradicionais", afirmou o governo em comunicado divulgado em junho.

Regiões excluídas e tensões internas

A votação, marcada para 5 de outubro, não ocorrerá em todas as regiões. Províncias como Sueida (dominada pela minoria drusa) e partes de Raqqa e Hassakeh (sob controle curdo) foram excluídas por "questões de segurança" — embora analistas apontem que o verdadeiro motivo seja a ausência de controle do governo central sobre essas áreas.

A Administração Autônoma Curda (AANES) criticou duramente o processo, afirmando que ele "não representa a vontade do povo sírio" e que a justificativa de insegurança serve para negar direitos políticos a mais de cinco milhões de cidadãos.

(Com agências)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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