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Saiba quem é Ali Larijani, autoridade do Irã que Israel diz ter matado

A trajetória do homem que unia a filosofia de Kant ao comando das estratégias militares mais sensíveis da República Islâmica

17 mar 2026 - 12h45
(atualizado às 13h30)
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O cenário de tensão no Oriente Médio atingiu um novo patamar após as declarações recentes do ministro da Defesa de Israel. Segundo as autoridades israelenses, Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional do Irã, foi "eliminado" em uma operação realizada na noite de segunda-feira. A notícia reverbera globalmente, não apenas pelo cargo ocupado, mas pela estatura intelectual e política que Larijani representava dentro do regime iraniano. Aos 67 anos, ele era muito mais do que um burocrata de alto escalão; era um símbolo de resiliência e continuidade para o governo de Teerã em um momento de profunda fragilidade institucional.

Ali Larijani, chefe de segurança do Irã
Ali Larijani, chefe de segurança do Irã
Foto: Divulgação / Perfil Brasil

A ascensão ao coração do poder em Teerã

Nos últimos meses, Ali Larijani vinha consolidando sua posição como uma das figuras mais influentes do país. Sua relevância ganhou tração inicialmente como um dos nomes centrais na repressão aos protestos populares ocorridos em janeiro. Mais tarde, ele se tornou uma peça fundamental durante o delicado período de transição que se seguiu após a morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Com uma ligação histórica e profunda com a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC), Larijani transitava com uma habilidade rara entre as alas militares e os círculos diplomáticos da República Islâmica.

Mesmo ciente de que figurava como um dos principais alvos da inteligência de Israel, ele mantinha uma postura desafiadora e visível. Na última semana, Larijani chegou a participar de um ato público em Teerã, reforçando sua imagem de liderança inabalável diante das ameaças externas. Sua carreira foi marcada por essa dualidade: o soldado que combateu na guerra contra o Iraque na década de 1980 e o político que presidiu o Parlamento iraniano por doze anos, deixando o cargo apenas em 2020 para assumir funções consultivas estratégicas junto ao topo da hierarquia religiosa e militar.

 
 
 
 
 
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Da filosofia alemã ao comando da segurança nacional

Um dos aspectos mais fascinantes da biografia de Ali Larijani é sua formação acadêmica diversificada. Diferente de muitos de seus pares focados exclusivamente na teologia ou na estratégia militar, ele era um homem das ciências e das letras. Formado originalmente em matemática e ciência da computação pela prestigiada Universidade Sharif de Tecnologia, Larijani obteve um doutorado em filosofia pela Universidade de Teerã. Ele era um estudioso profundo da obra do filósofo alemão Immanuel Kant, sobre quem escreveu extensivamente, trazendo uma camada de pragmatismo intelectual às suas decisões políticas.

Essa base teórica o ajudou a atuar como o principal negociador nuclear do Irã em anos anteriores e a comandar a emissora estatal do país. No entanto, sua face mais severa emergia quando o assunto era a defesa do Estado. Analistas internacionais observam que, embora não fosse considerado um ideólogo de linha-dura no sentido estrito, ele possuía um compromisso inegociável com a sobrevivência da República Islâmica. Essa visão estratégica ficou clara em suas interações públicas e postagens em redes sociais, onde frequentemente desafiava a pressão ocidental.

O papel estratégico na guerra e o embate com o ocidente

Desde o recrudescimento do conflito regional, Larijani assumiu um papel protagonista na formulação da estratégia de guerra iraniana. Ele não poupava críticas à administração norte-americana, especialmente ao presidente Donald Trump, a quem via como uma peça de instabilidade deliberada. Em uma de suas comunicações mais emblemáticas na rede social X, Larijani enviou um aviso direto às potências ocidentais ao afirmar categoricamente: "Diferentemente dos Estados Unidos, o Irã se preparou para uma guerra longa". Essa frase sintetiza a mentalidade de um estrategista que via o tempo como uma ferramenta a favor de Teerã.

Sua influência também era sustentada por raízes familiares profundas na estrutura clerical do país. Como membro de uma influente família de clérigos, ele contava com o apoio de seu irmão, Sadegh Larijani, aiatolá e ex-chefe do Judiciário iraniano. Essa rede de proteção e poder permitiu que ele voltasse ao centro das decisões após o conflito com Israel no ano passado, ocupando a chefia do Conselho de Segurança Nacional. Se a confirmação de sua morte se consolidar, o Irã perde não apenas um executor de ordens, mas uma das mentes mais sofisticadas que ajudaram a moldar a geopolítica do país nas últimas quatro décadas.

Perfil Brasil
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