Robert Badinter, pai da abolição da pena de morte na França, morre aos 95 anos
Robert Badinter, ex-ministro da Justiça e conhecido por abolir o uso da guilhotina na França em 1981, morreu nesta sexta-feira aos 95 anos. Advogado e ativista dos direitos humanos, Badinter realizou grandes reformas nas leis depois que o socialista Francois Mitterrand, um opositor da pena de morte, foi eleito presidente em maio de 1981 e o tornou ministro da Justiça. Apresentar uma lei que acabava com a guilhotina foi uma das suas primeiras ações como ministro. Três pessoas foram executadas no país entre 1976 e 1977, sob o governo do antecessor de Mitterrand, o conservador Valery Giscard d'Estaing. Depois de um debate acaladorado no Senado, a lei que abolia a pena de morte para todos os crimes foi oficialmente promulgada em 9 de outubro de 1981. "O advogado, ministro da Justiça, o homem que aboliu a pena de morte. Robert Badinter sempre esteve do lado do iluminismo. Ele era uma figura do século, uma consciência republicana, um espírito francês", afirmou o presidente Emmanuel Macron na rede social X, anteriormente conhecida como Twitter. Intelectual judeu, cujo pai morreu em um campo de concentração da Alemanha, Badinter era alvo de ódio da direita francesa, com algum grau de antissemitismo. Em 1982, ele pediu aos tribunais que combatessem o crime organizado e o terrorismo, mas que evitassem lotar as prisões com pessoas que cometeram delitos menores. Entre março de 1986 -- quando o campo de Mitterrand perdeu a eleição geral para a coalizão conservadora liderada por Jacques Chirac -- e março de 1995, ele foi presidente do Conselho Constitucional. Depois, foi senador entre 1995 e 2011.