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Relatório da ONU diz que ataque aéreo israelense contra prisão no Irã é crime de guerra

16 mar 2026 - 16h03
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O chefe de uma investigação ‌da ONU disse nesta segunda-feira que um ataque aéreo israelense a uma prisão no ano passado foi um crime de guerra e alertou sobre os riscos de mais repressão após os atuais bombardeios israelenses e norte-americanos.

Mais de 70 pessoas foram mortas quando Israel atacou ⁠a prisão de Evin, em Teerã, em junho passado, durante uma ‌guerra aérea com o Irã, disseram as autoridades iranianas. A prisão, conhecida por manter prisioneiros políticos, também foi danificada nos últimos ataques ‌aéreos entre EUA e Israel, aumentando ‌o temor dos detentos, que incluem um casal britânico.

"Encontramos motivos ⁠razoáveis para acreditar que, ao realizar os ataques aéreos à prisão de Evin, Israel cometeu o crime de guerra de dirigir intencionalmente ataques contra um objeto civil...", disse Sara Hossain, chair da Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre o Irã, ao Conselho ‌de Direitos Humanos da ONU. Ela disse que 80 pessoas, incluindo uma ‌criança e oito mulheres, ⁠foram mortas.

Seu relatório ⁠mais recente, baseado em entrevistas com vítimas e testemunhas, imagens de satélite e ⁠outros documentos, foi apresentado ao ‌Conselho nesta segunda-feira.

Israel se ‌desligou do conselho, que documenta abusos e conduz investigações, e deixou seu assento vazio. Não houve resposta imediata aos pedidos de comentários do gabinete do primeiro-ministro, do Ministério das Relações Exteriores ⁠ou dos militares.

Hossain condenou as crescentes mortes de civis no Irã e expressou preocupações de que a atual campanha de bombardeio poderia levar o Irã a reprimir ainda mais a dissidência, apontando para um aumento nas execuções após ‌os ataques do ano passado.

"A principal lição extraída de nossas investigações nesse contexto é clara: a ação militar externa não proporciona responsabilidade ⁠nem traz mudanças significativas. Em vez disso, ela corre o risco de intensificar a repressão interna... ", disse ela.

Mai Sato, especialista em direitos humanos nomeada pela ONU para o Irã, também expressou preocupação com os detidos, inclusive os que foram presos durante os protestos em massa em janeiro. As famílias não têm conseguido entrar em contato com os parentes, e os alimentos e medicamentos estão cada vez mais escassos nas prisões, disse ela.

O embaixador do Irã, Ali Bahreini, pediu a condenação dos ataques israelenses e norte-americanos, que, segundo ele, mataram mais de 1.300 pessoas no Irã.

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