O que se sabe sobre família de brasileira morta após ataque de Israel no Líbano
Caso provocou reação do governo brasileiro, que classificou o episódio como mais uma “violação inaceitável” da trégua
Uma família com mãe e filho brasileiros e pai libanês foi atingida por um bombardeio israelense no sul do Líbano no último domingo, 26, em meio ao cessar-fogo firmado entre Israel e o Hezbollah. O caso gerou repercussão e manifestação do governo brasileiro, enquanto dois corpos seguem desaparecidos.
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O ataque matou a brasileira Manal Jaafar, o libanês Ghassan Nader e o filho do casal, Ali Ghassan Nader, de 11 anos. Outro filho dos dois sobreviveu e segue hospitalizado.
O governo brasileiro classificou o episódio como mais uma “violação inaceitável” da trégua anunciada em abril. Veja o que se sabe até agora.
Quem são as vítimas
Segundo informações confirmadas e pela família à imprensa, morreram no ataque:
- A brasileira Manal Jaafar;
- O marido dela, o libanês Ghassan Nader;
- O filho do casal, Ali Ghassan Nader, de 11 anos.
Outro filho do casal, também brasileiro, ficou ferido e está hospitalizado em recuperação.O menino mais novo já foi enterrado. Já os corpos dos pais ainda não haviam sido encontrados até esta segunda-feira, 27, segundo o tio das crianças, Bilal Nader, em entrevista à TV Globo.
Como aconteceu o bombardeio
De acordo com familiares, a família não morava mais na residência atingida, localizada no distrito de Bint Jbeil, no sul do Líbano. Eles haviam retornado ao imóvel durante o período de cessar-fogo para retirar pertences pessoais.
“Eles foram para a cidade onde está a casa deles para dar uma olhada na casa. Aí olharam tudo, tomaram café da manhã, estavam preparando a mala e as coisas que eles iam levar embora da casa”, contou Bilal Nader.
Segundo ele, os dois filhos estavam do lado de fora da residência no momento do ataque. “Essa hora deu o bombardeio na casa deles. Os dois, meus sobrinhos, voaram. O menor não resistiu”, afirmou. “A casa de três andares virou pedaços”.
Onde ocorreu o ataque
O bombardeio aconteceu em Bint Jbeil, no sul do Líbano, região próxima à fronteira com Israel e uma das áreas mais afetadas pelos confrontos recentes entre Israel e o Hezbollah.
A agência estatal libanesa ANI informou que ataques israelenses também atingiram localidades próximas, como Kfar Tibnit. Antes dos bombardeios, Israel havia emitido ordens de evacuação para moradores de diversas cidades do sul do país.
O cessar-fogo foi desrespeitado?
Sim. O ataque ocorreu durante a vigência de um cessar-fogo firmado entre Israel e o Líbano em 16 de abril. O acordo previa inicialmente uma trégua de dez dias, mas foi prorrogado por mais três semanas após negociações mediadas pelos Estados Unidos.
Apesar disso, novos episódios de violência continuam sendo registrados. Israel e Hezbollah acusam-se mutuamente de violar o acordo.
O governo brasileiro afirmou que o caso representa “mais um exemplo das reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo”.
O que diz Israel
Segundo autoridades israelenses, os novos bombardeios foram motivados por “repetidas violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah”.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o grupo apoiado pelo Irã estaria “desmantelando efetivamente o cessar-fogo” e afirmou que Israel fará “o que for necessário para restabelecer a segurança”, segundo agências internacionais.
Pelos termos do acordo negociado em abril, Israel manteve o direito de realizar ações militares consideradas de autodefesa.
O que disse o Itamaraty
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirmou ter recebido “com consternação e pesar” a notícia das mortes.
O Itamaraty condenou os ataques durante o período de trégua e afirmou que o episódio já faz parte de uma sequência de violações que provocaram mortes de civis, incluindo mulheres, crianças, jornalistas e integrantes da força da ONU no Líbano.
“O Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah”, afirmou o governo.
A pasta também defendeu “a imediata cessação das hostilidades” e a retirada das forças israelenses do território libanês.
Segundo o Itamaraty, a Embaixada do Brasil em Beirute está prestando assistência consular à família e acompanhando o estado de saúde do filho sobrevivente.
Contexto do conflito
Os confrontos entre Israel e Hezbollah se intensificaram nos últimos meses em meio ao agravamento das tensões regionais envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.
Desde março, ataques aéreos israelenses passaram a atingir diferentes regiões do Líbano após lançamentos de foguetes feitos pelo Hezbollah contra o norte de Israel.
Dados do governo libanês indicam que mais de 2,4 mil pessoas morreram e mais de 7,5 mil ficaram feridas desde o início da guerra. Segundo a ONU, mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas no país.
O Líbano abriga atualmente a maior comunidade brasileira no Oriente Médio, com cerca de 21 mil brasileiros vivendo no país.
(*Com informações da BBC, RFI e APF)
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