Reformistas e moderadores do Irã defendem relações diplomáticas com Estados Unidos
O Irã ainda enfrenta instabilidade depois do fim da "guerra dos 12 dias", que envolveu confrontos armados com Israel e Estados Unidos, culminando na destruição das principais instalações nucleares iranianas. Desde então, o país não conseguiu retornar à normalidade.
O Irã ainda enfrenta instabilidade depois do fim da "guerra dos 12 dias", que envolveu confrontos armados com Israel e Estados Unidos, culminando na destruição das principais instalações nucleares iranianas. Desde então, o país não conseguiu retornar à normalidade.
Informações de Siavosh Ghazi, correspondente da RFI em Teerã
O líder supremo, Ali Khamenei, passou as últimas três semanas monitorando de perto o cenário político interno no Irã. Nesse período, desde o fim dos ataques israelenses e americanos, as ideias de grupos reformistas e moderados ganharam força.
Presidente do Irã entre 2013 e 2021, Hasan Rohani afirmou em um discurso que as Forças Armadas, em particular os Guardiões da Revolução, devem abandonar todas as suas atividades econômicas e políticas. O ex-presidente também declarou que o Irã se encontra em um ponto de inflexão e defendeu a reaproximação diplomática com países ocidentais, em particular com os Estados Unidos, para retomar o caminho da reconstrução e da estabilidade nacional.
O ex-ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, manifestou sua opinião em um artigo publicado pela revista Foreign Affairs. No artigo, ele afirma que, após a guerra desencadeada por Israel e os Estados Unidos, o Irã deve mudar suas relações com os países da região, mas também com os europeus e até mesmo com os americanos.
Nesta mesma direção, a coalizão de partidos reformistas solicitou, por meio de uma carta, a suspensão do enriquecimento de urânio, a normalização das relações diplomáticas com o Ocidente e o fim de todas as pressões políticas.
País dividido
Alguns conservadores afirmam que essa postura enfraquece a posição do Irã, que pode se tornar alvo de novos ataques de Israel e dos EUA, que exigem o fim das atividades nucleares iranianas.
Os ultraconservadores se tornaram hostis diante deste nova proposta de mudança e fizeram denúncias, principalmente sobre o pedido de suspensão do enriquecimento de urânio e sobre a retomada da relação diplomática com os Estados Unidos.
Mas os ultraconservadores perderam influência na política nacional. No plano político, a morte de um dos líderes dos Guardiões da Revolução durante os ataques israelenses debilitou o grupo.
Pressão externa
Alemanha, França e Reino Unido ameaçaram ativar até o fim deste mês uma medida que restabeleceria as sanções da ONU suspensas em virtude do acordo de 2015, a menos que Teerã aceite desacelerar o ritmo de enriquecimento de urânio e restaurar a cooperação com os inspetores.
O ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou na quarta-feira que Alemanha, França e Reino Unido não têm o direito de ativar o mecanismo de reimposição de sanções previsto no acordo nuclear de 2015 ou prorrogar o prazo de outubro para ativá-lo.
"Se acreditamos que eles não têm o direito de aplicar a cláusula de restabelecimento, é lógico que também não têm o direito de estender seu prazo", declarou o ministro à agência de notícias estatal Irna.
As três nações, juntamente com Estados Unidos, China e Rússia, assinaram em 2015 um acordo com o Irã que previa restringir o desenvolvimento do programa nuclear iraniano em troca de uma suspensão progressiva das sanções da ONU. Três anos depois, Washington se retirou unilateralmente do pacto.
O Irã também sofre com restrições às exportações de petróleo. Isso tem provocado alta inflação que afeta todos os níveis da sociedade, especialmente as classes populares.
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.