Às vésperas da Copa do Mundo, Platini processa Infantino, presidente da FIFA, por calúnia
O ex-jogador de futebol francês Michel Platini entrou com um processo nesta segunda-feira (8) contra o presidente da FIFA, Gianni Infantino, por "calúnia" e "tráfico de influência", em retaliação ao caso que interrompeu sua ascensão ao topo do futebol mundial em 2015, segundo um comunicado enviado à AFP.
Este processo, que também inclui dois ex-dirigentes da FIFA, é uma ação civil e, portanto, "levará à nomeação de um juiz de instrução", explicou o ex-jogador.
Ele já havia apresentado duas queixas separadas em 2018 e 2021 no mesmo caso, respectivamente por denúncia caluniosa contra pessoas desconhecidas e por tráfico de influência contra Gianni Infantino. Ambas foram apresentadas aos tribunais suíços: a primeira foi considerada prescrita e a segunda foi arquivada em outubro passado.
O triplo vencedor da Bola de Ouro também entrará com uma ação civil contra a FIFA, a entidade máxima do futebol mundial, "para obter indenização por todos os danos" relacionados às "manobras usadas para impedi-lo de ser eleito presidente da FIFA em 2015", explica.
"Não vou deixar escapar as pessoas que me prejudicaram", prometeu ele em março passado à rádio RMC, referindo-se ao caso de fraude que precipitou sua queda antes de ser concluído com uma absolvição final na Suíça em agosto de 2025. Michel Platini acredita que Gianni Infantino, que era seu braço direito na UEFA, assim como o ex-diretor jurídico da FIFA, Marco Villiger, e o ex-presidente de seu comitê de auditoria, Domenico Scala, "trabalharam para me excluir da corrida pela presidência" da organização, por meio de "acusações completamente infundadas".
A revelação de um pagamento de dois milhões de francos suíços (cerca de R$ 9,7 milhões) feito ao francês pela FIFA quatro anos antes desencadeou uma série de processos disciplinares e, posteriormente, criminais, justamente no momento em que Michel Platini parecia estar em posição ideal para assumir a presidência da FIFA.
O afastamento do ex-capitão da seleção francesa abriu caminho para a eleição inesperada, em fevereiro de 2016, de seu secretário-geral na UEFA, Gianni Infantino. O cidadão ítalo-suíço foi reeleito sem oposição em 2019 e 2023, e buscará mais um mandato em março próximo.
Outra polêmica
A imagem de Infantino já foi arranhada por outro caso na Justiça. O caso envolvendo o beijo na jogadora espanhola Jenni Hermoso, durante a comemoração da vitória da Espanha na Copa do Mundo Feminina de 2023, gerou uma crise internacional no futebol e acabou envolvendo, também, o presidente da FIFA. Embora o gesto tenha sido protagonizado pelo então presidente da Federação Espanhola, Luis Rubiales, a reação inicial de Infantino foi alvo de críticas por ser considerada tímida e pouco sensível à gravidade da situação.
Dias depois, ele publicou uma mensagem nas redes sociais tentando contextualizar o episódio dentro de um debate mais amplo sobre igualdade de gênero e respeito no esporte, mas acabou sendo acusado de minimizar o ocorrido e de adotar um tom inadequado ao dizer que as mulheres do futebol deveriam "aproveitar o momento".
A repercussão negativa levou a FIFA a apoiar as investigações contra Rubiales e reforçar publicamente seu compromisso com padrões éticos mais rigorosos, enquanto o episódio se tornou um marco no debate sobre assédio e poder no esporte mundial.
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