Reestruturação da dívida da Venezuela tirará o país "das sombras", diz chefe do banco central
A reestruturação da dívida soberana da Venezuela e da empresa estatal de petróleo PDVSA tirará o país "das sombras" do sistema financeiro global, disse o presidente interino do banco central, Luis Pérez, nesta quinta-feira.
A Venezuela anunciou na quarta-feira que começaria a reestruturar sua dívida externa, que está inadimplente desde 2017 e é estimada por analistas em mais de US$150 bilhões em títulos não pagos, prêmios de arbitragem e juros.
A reestruturação "tira a República das sombras no mundo financeiro internacional", disse Pérez à Reuters em uma entrevista.
"O mundo inteiro está assistindo com entusiasmo e aprovação."
Pérez não forneceu detalhes sobre o plano de reestruturação da dívida, dizendo que as informações são de competência do representante do país perante o Fundo Monetário Internacional, Calixto Ortega.
A Venezuela está buscando se reintegrar ao sistema financeiro global após o restabelecimento das relações com o FMI e o Banco Mundial, que foram suspensas em 2019 devido a disputas de reconhecimento do governo.
"O rompimento das relações com o Fundo Monetário Internacional nunca deveria ter acontecido. Foi uma consequência das sanções", acrescentou Pérez. Uma delegação venezuelana viajará a Washington no final do mês para se reunir com a entidade.
O FMI indicou que poderia fornecer apoio por meio de aproximadamente US$5 bilhões em direitos especiais de saque (SDRs) que ainda não foram utilizados.
A presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder em janeiro depois que os EUA capturaram o presidente Nicolás Maduro, pretende usar os recursos para o setor elétrico.
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Pérez acrescentou que a comunicação inicial com o Fundo se concentrou no desenvolvimento de estatísticas sobre preços e o setor externo.
Pérez também previu que a economia venezuelana crescerá cerca de 8% este ano, com a expectativa de que a inflação diminua para um dígito.
A economia cresceu 2,5% no primeiro trimestre, impulsionada por um aumento de 3,1% na atividade não petrolífera, enquanto o setor petrolífero contraiu 2,1%.
Após a retomada das relações diplomáticas da Venezuela com os Estados Unidos em março, o banco central agora mantém laços mais estreitos com o Departamento do Tesouro dos EUA, acrescentou Pérez.
"Os Estados Unidos estão desempenhando um papel crucial", disse Pérez. "É impossível que o governo dos Estados Unidos não desempenhe um papel de liderança no levantamento das restrições também."
Washington emitiu uma licença em abril permitindo que o banco central realizasse transações com entidades no exterior.
Pérez acrescentou que o banco está preparando um acordo com a empresa de auditoria Binder Dijker Otte (BDO) para revisar suas demonstrações financeiras.
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