Missão científica vai ao Ushuaia tentar identificar origem da contaminação por hantavírus
Uma missão científica argentina irá na próxima semana ao Ushuaia, de onde partiu o navio MV Hondius, para pesquisar a possível presença no local de roedores transmissores do hantavírus. A expectativa é obter resultados em até um mês, anunciou nesta quinta-feira (14) uma autoridade sanitária local.
"A ideia é realizar a coleta de amostras (de roedores) na próxima semana", afirmou à imprensa, em Ushuaia, o diretor de Epidemiologia da província da Terra do Fogo, Juan Petrina, sem especificar quantos roedores deverão ser capturados.
Após as análises, "supõe-se que os resultados devam ficar prontos em até quatro semanas", acrescentou, demonstrando cautela em relação ao prazo.
A cidade turística de Ushuaia, de onde partiu em 1º de abril o navio de cruzeiro no qual surgiu um foco de hantavírus, vem há duas semanas rejeitando a hipótese de ter sido a origem do contágio do passageiro considerado caso zero.
Segundo as autoridades locais, o hantavírus está ausente da província desde que sua notificação se tornou obrigatória, há 30 anos. Também não haveria presença do rato de cauda longa, transmissor da variante "Andes" do hantavírus, capaz de ser transmitida entre humanos.
"A situação epidemiológica da região não mudou muito", ressaltou Petrina. "Não tivemos nenhum novo caso de hantavírus. E já se passaram 45 dias desde a partida do navio."
Ele explicou que os locais exatos onde serão feitas as capturas de roedores "ainda não foram definidos", mas estão sendo discutidos entre a província e os cientistas do Instituto Malbrán, de Buenos Aires, referência argentina em infectologia e epidemiologia, responsáveis pela missão.
Petrina foi questionado especificamente sobre a possibilidade de coleta de roedores em um aterro sanitário, onde, segundo informações ainda não confirmadas oficialmente, um ornitólogo holandês, considerada caso zero, poderia ter ido durante sua estadia de 48 horas em Ushuaia para observar aves necrófagas. Nesse local, ele poderia eventualmente ter sido contaminado devido à presença do rato de cauda longa.
"Não no próprio aterro, porque isso não faria sentido. Os roedores que existem ali são urbanos e não são suscetíveis ao hantavírus", afirmou Petrina. "Seria mais nas áreas ao redor, mas ainda não temos os pontos exatos."
A ministra da Saúde da província, Judit Di Giglio, e as autoridades do turismo reiteraram nesta quinta-feira uma "mensagem de tranquilidade" sobre a situação epidemiológica da província voltada ao setor turístico. "O vetor (do hantavírus) não está em nossa província", insistiu a ministra.
"Vivemos em um lugar seguro, e não é apenas seguro fazer turismo aqui, também é seguro viver aqui", reforçou Patricio Cornejo, presidente da Câmara de Turismo. Ele lamentou a circulação de uma "fake news vinda do exterior", segundo a qual o contágio poderia ter ocorrido na cidade.
Com AFP
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