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Professores italianos documentam legado da imigração vêneta no Brasil

Alberto Zago e Emanuele Danese também passaram por Argentina e Uruguai

19 ago 2026 - 09h55
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Dois professores de ensino médio de Verona, na Itália, realizaram uma viagem à Argentina, ao Uruguai e ao Brasil para documentar o que resta, após 150 anos, da grande emigração vêneta para a América do Sul.

    O objetivo da expedição liderada por Alberto Zago e Emanuele Danese foi registrar a preservação da língua, da memória, das tradições e do vínculo dos descendentes de imigrantes italianos com o Vêneto, região do norte italiano conhecida por sua capital, Veneza, pelas belas paisagens das Dolomitas e pela produção do Prosecco.

    "Encontramos descendentes, associações, estudiosos e comunidades que ainda hoje conservam a língua, a memória, as tradições e uma surpreendente ligação com o Vêneto", explicou Zago, que dá aulas de história e filosofia em uma escola de Verona.

    "As raízes vênetas ainda são reconhecíveis na gastronomia, no cultivo da horta e da vinha, nas canções e festas, mas sobretudo na enraizada fé cristã e na língua", reforçou Danese.

    Muitos descendentes ainda falam o talian, um idioma baseado em grande parte no dialeto vêneto. Durante o percurso, os professores conversaram sobre o tema com Marcos Zancan, professor brasileiro que leciona talian na Universidade Federal de Santa Maria.

    A viagem começou em Buenos Aires, seguiu de balsa para o Uruguai e, depois, de ônibus noturno para o Brasil, onde os docentes alugaram um carro para percorrer o Rio Grande do Sul.

    Por fim, eles voaram para o Rio de Janeiro, de onde partiram de avião para a Itália.

    Durante o percurso, Zago e Danese se reuniram com jovens empreendedores, profissionais de diversas áreas, um procurador-geral, estudantes, arquivistas, docentes de escolas e universidades, diretores de instituições de ensino e representantes religiosos.

    "Todos com avós e bisavós de Belluno, Vicenza, Pádua e Verona em suas árvores genealógicas", observou Zago. Em um dos momentos mais marcantes, o professor foi convidado a participar de uma transmissão de rádio, na presença do bispo emérito de Caxias do Sul, o italiano Alessandro Ruffinoni, falando diretamente em dialeto vêneto.

    "Toda a documentação e o material recolhido também serão utilizados para fins educativos, talvez como parte de programas de educação cívica", concluiu Danese. .

Ansa - Brasil
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