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Presidente da China nomeia novo chefe militar para combate à corrupção e promove dois generais

3 jul 2026 - 14h01
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O presidente da China, Xi Jinping, promoveu nesta ‌sexta-feira dois oficiais militares à patente de general e nomeou um deles como novo chefe do principal órgão disciplinar e anticorrupção das Forças Armadas, enquanto busca reconstruir o alto comando militar, enfraquecido por uma série de mudanças.

Zhang Shuguang, um veterano oficial anticorrupção do Exército Popular de Libertação (EPL), e Wang Gang, comandante da Força Aérea do ⁠EPL, foram promovidos por Xi durante uma cerimônia em Pequim ao posto mais alto ‌para oficiais na ativa na China, segundo informaram a mídia estatal.

Zhang Shuguang, agora chefe da poderosa comissão de inspeção disciplinar da Comissão Militar Central (CMC), substitui Zhang Shengmin ‌como principal responsável pelo combate à corrupção nas ‌Forças Armadas. Zhang Shengmin ocupava o cargo desde 2017, mesmo após ter sido ⁠promovido a vice-presidente da CMC em 2025.

No âmbito de uma campanha anticorrupção de vários anos iniciada pelo líder chinês, dezenas de autoridades e generais seniores foram investigados, destituídos e afastados. Dois ex-ministros da Defesa receberam sentenças de morte com suspensão em maio.

Essa repressão também reduziu o órgão supremo de comando militar da China, que antes ‌contava com sete membros, para apenas duas pessoas: o próprio Xi como presidente e o ‌vice-presidente Zhang Shengmin.

"VIRAR A ⁠LÂMINA CONTRA SI MESMO"

Depois ⁠de expurgar quase toda a sua alta cúpula militar por corrupção, Xi enviou oficiais de alto ⁠escalão do Exército Popular de Libertação para ‌um curso intensivo de reciclagem ‌política de dez semanas no início deste ano.

"Todos os pensamentos e ações voltados para o ganho pessoal e a corrupção são fundamentalmente incompatíveis com a natureza e o propósito do partido", disse ele aos oficiais em abril, no ⁠início desse programa raro e incomum.

Os oficiais seniores estudaram as obras de Xi, renovaram seu juramento ao Partido Comunista e trabalharam até tarde da noite para refletir sobre suas próprias falhas, informou na semana passada um jornal administrado pelo EPL.

Com a determinação de "voltar a lâmina da faca contra ‌si mesmos", os oficiais foram orientados a "revelar suas falhas com um espírito de autorrevolução completa e a identificar e examinar casos de contaminação por influências perniciosas e ⁠manifestações de mutação", informou o jornal.

"A visão de Xi parece ser de que um controle político mais rígido tornará o EPL uma força de combate mais eficaz e, portanto, um instrumento mais confiável de coerção sobre Taiwan e no Mar da China Meridional", disse Neil Thomas, pesquisador do Asia Society Policy Institute, com sede em Nova York.

"A remoção de comandantes de alto escalão pode prejudicar a prontidão no curto prazo, mas Xi parece disposto a aceitar esse risco, pois acredita que isso resultará em Forças Armadas mais disciplinadas e mais capazes ao longo do tempo", disse ele.

A atual composição da CMC foi nomeada em outubro de 2022 e deve ser substituída ou renovada após o próximo congresso quinquenal do Partido Comunista, que provavelmente ocorrerá no outono de 2027.

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