Alemanha em alerta após ouvir que China teria treinado soldados russos
Berlim convocou o embaixador chinês para explicações após relatos de que militares da China treinaram centenas de russos para combater na Ucrânia, com foco na operação de drones.A Alemanha convocou o embaixador da China, Deng Hongbo, para uma "reunião urgente" devido a relatos de que o país estaria treinando secretamente soldados russos, informou nesta sexta-feira (03/06) um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores alemão, confirmando uma reportagem da revista Der Spiegel.
O governo alemão e a União Europeia acusam a China de apoiar a Rússia em sua guerra contra a Ucrânia, em curso há mais de quatro anos. O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, chegou a tratar da questão com o presidente chinês Xi Jinping durante sua visita à China, em fevereiro deste ano. O governo de Pequim nega as acusações.
"Isso é muito preocupante, porque, fundamentalmente, o que temos afirmado com clareza diversas vezes continua a ser válido: a Rússia é a maior ameaça à nossa segurança euro-atlântica", declarou o Ministério das Relações Exteriores alemão nesta sexta.
"Qualquer coisa que permita à Rússia continuar sua guerra contra a Ucrânia também representa uma ameaça à nossa segurança", segue o comunicado. "O apoio crucial e crescente da China à brutal guerra de agressão da Rússia afeta, portanto, diretamente nossa segurança."
Treinados pelo Exército de Libertação Popular
Citando documentos de agências de inteligência europeias, a agência de notícias Reuters e o jornal alemão Die Welt afirmam que o Exército de Libertação Popular da China (ELP) realizou programas de treinamento em diversos locais, com a participação de centenas de soldados russos.
Os treinamentos focaram em sistemas não tripulados, guerra eletrônica e simulações de combate modernas, segundo os documentos. Os participantes treinaram tanto em simuladores virtuais quanto em exercícios práticos. Houve, por exemplo, cursos de drones em ambientes fechados.
As reportagens descrevem e exibem imagens de soldados russos recebendo orientações de um instrutor chinês, observando o modelo de um reator nuclear e participando de treinamentos sobre "reconhecimento químico", "reconhecimento radiológico" e proteção de sistemas de ventilação contra contaminação.
Alguns dos formandos foram depois destacados para operações de combate na Ucrânia a partir do início de 2026, alguns em funções de liderança, incluindo especialistas em operações com drones.
Segundo a Reuters, a cooperação militar foi formalizada em um acordo bilateral, aparentemente assinado em Pequim em 2 de julho de 2025 por oficiais de alta patente de ambos os países, com aprovação do ministro da Defesa da Rússia, subordinado ao presidente Vladimir Putin.
O documento também definia sigilo absoluto, incluindo a proibição de cobertura da mídia. A cooperação em treinamento seria de mão dupla, com soldados chineses recebendo treinamento na Rússia em áreas como forças blindadas, artilharia, engenharia e defesa aérea.
Aumenta a pressão sobre a China
As revelações podem aumentar a pressão sobre Pequim, que alega manter uma posição neutra no conflito entre Rússia e Ucrânia e nega fornecer apoio militar à Rússia.
Os países europeus acompanham com preocupação o fortalecimento das relações entre Moscou e a China, segunda maior economia do mundo e importante parceira comercial da União Europeia.
O bloco já impôs sanções a empresas chinesas acusadas de apoiar o esforço de guerra russo e discute a necessidade de adotar novas medidas em resposta aos treinamentos.
Diversas empresas chinesas comprovadamente fornecedoras de componentes relacionados à guerra para a Rússia constam nas listas de sanções ocidentais.
sf/ra (RT, ots)
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