Premiê britânico promete ser mais ousado para tentar manter cargo
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, prometeu ser mais ousado para mudar a sorte do Reino Unido, fazendo um apelo apaixonado ao Partido Trabalhista e aos eleitores na segunda-feira para que fiquem com ele e evitem uma disputa pela liderança que, segundo ele, só traria o caos.
Falando em um centro comunitário em Londres, Starmer praticamente admitiu que foi tímido demais ao enfrentar a série de problemas que assolam o Reino Unido desde que conquistou uma ampla maioria em 2024, e disse que assumiu a responsabilidade por uma das piores derrotas do Partido Trabalhista nas eleições da semana passada.
Descrevendo o cenário global de conflitos na Ucrânia e no Irã como um dos mais perigosos "do que em qualquer outro momento da minha vida", Starmer disse que agora ofereceria uma "ruptura completa" com a tomada de decisões do passado que levou ao "status quo".
Em vez disso, ele prometeu governar com a "esperança e a urgência" necessárias para melhorar os padrões de vida e produzir um Reino Unido "mais forte e mais justo" para tentar superar o desafio apresentado pelo partido populista Reform UK, à direita, e pelos Verdes, à esquerda, antes da próxima eleição nacional prevista para 2029.
"Nossa resposta desta vez precisa ser diferente, uma ruptura completa. Precisamos tornar este país mais forte e assumir o controle de nossa segurança econômica", disse ele.
"Sei que as pessoas estão frustradas com a situação do Reino Unido. Frustradas com a política, e algumas pessoas estão frustradas comigo", declarou ele. "Sei que tenho meus céticos e sei que preciso provar que eles estão errados. E é o que farei", disse Starmer a uma plateia de simpatizantes do partido, que o aplaudiu de pé várias vezes.
Os aplausos estavam muito longe dos grupos de mensagens dos parlamentares trabalhistas, onde as conversas sobre a remoção de Starmer aumentaram depois que o partido perdeu centenas de cadeiras nas eleições para os conselhos da Inglaterra e para os parlamentos da Escócia e do País de Gales.
Catherine West, uma ex-ministra júnior pouco conhecida, abriu caminho no fim de semana para ameaçar disputar a liderança se Starmer não oferecer mudanças radicais, uma medida que poderia forçar uma disputa mais ampla pela liderança se ela conseguisse apoio.
Ela mudou de rumo na segunda-feira, pedindo aos parlamentares trabalhistas que apoiassem a ideia de estabelecer um cronograma para que ele deixasse o cargo, em vez de se candidatar imediatamente.
Starmer tem dito que não deixará seu cargo voluntariamente, e sua equipe afirmou que o discurso era uma forma de mostrar que o ex-advogado, muitas vezes de fala mansa, estava determinado a trabalhar não apenas para seu partido, mas para o país como um todo.
"Não vou me afastar", disse Starmer.
"Acho que o que testemunhamos com o último governo foi o caos da constante mudança de líderes e isso custou muito caro ao país", afirmou ele, referindo-se aos governos conservadores que tiveram cinco líderes diferentes em pouco mais de seis anos.
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