Prefeito de Berlim enfrenta pedidos de renúncia após jogar tênis durante apagão na cidade
Kai Wegner inicialmente disse que estava trabalhando, mas depois admitiu que disputou partida de tênis durante falta de luz
O prefeito de Berlim, Kai Wegner, enfrenta pedidos de renúncia após admitir ter jogado tênis durante uma grave crise de apagão na cidade, o que gerou revolta e críticas por sua falta de transparência e postura inadequada diante da emergência.
O prefeito de Berlim, capital da Alemanha, foi alvo de críticas após jogar tênis no primeiro dia do maior apagão enfrentado pela cidade em décadas. De acordo com a imprensa local, mais de 40 mil residências ficaram sem energia elétrica durante cinco dias.
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O apagão ocorreu no último sábado, 3, em decorrência de um incêndio criminoso. Segundo a DW, cerca de 100 mil moradores ficaram sem aquecimento, com temperaturas próximas a zero na região.
À imprensa local, Kai Wegner afirmou que passou o dia trabalhando “tentando coordenar” a crise e minimizar os impactos do apagão. “Literalmente me tranquei no meu escritório em casa”, disse no domingo, 4. No entanto, durante uma coletiva realizada na quarta-feira, 7, o político admitiu que jogou tênis por uma hora com sua parceira, a ministra da Educação berlinense Katharina Günther-Wünsch, enquanto a crise ocorria.
De acordo com ele, precisava de um tempo para “esclarecer as ideias” após atender telefonemas relacionados ao apagão e, mesmo jogando, permaneceu disponível para contato. “Olhando para trás, eu deveria ter dito no domingo o que fiz no sábado”, afirmou.
A justificativa gerou revolta na população. O ex-prefeito da cidade, Walter Momper, de 80 anos, criticou o político e afirmou que a atitude merecia esclarecimentos. “Ele sabia que milhares de famílias estavam sem energia e presumo que também sabia o quanto isso duraria. Ele não reagiu de forma adequada”, disse em entrevista à agência AFP.
Wegner também foi criticado por só visitar os bairros afetados pela crise no domingo. Ele rebateu as críticas alegando que a má conectividade dificultou a coordenação no local e que continuou trabalhando de casa e do escritório, embora tenha reconhecido que não foi totalmente transparente.
“Já é ruim o suficiente que o prefeito de Berlim não leve a sério uma situação de emergência causada por um ataque terrorista à infraestrutura da cidade a ponto de cancelar sua partida de tênis. Wegner também mentiu na cara do povo de Berlim”, afirmou Kristin Brinker, líder do grupo parlamentar regional do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD).