Plano de Trump para a Ucrânia exige 'trabalho adicional', dizem líderes de 11 potências no G20
Líderes de 11 países afirmaram neste sábado (22), em declaração conjunta, que o plano de paz para a Ucrânia apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda precisa de ajustes. O comunicado foi divulgado após uma reunião paralela à cúpula do G20, realizada em Joanesburgo, na África do Sul.
Segundo os signatários, a proposta americana de 28 pontos "constitui uma base", mas requer "trabalho adicional". Eles manifestaram preocupação com as limitações previstas para as forças armadas ucranianas, que, segundo o texto, "deixariam a Ucrânia vulnerável a futuros ataques".
Entre os líderes europeus que endossaram o documento estão a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente francês, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Fora do bloco, também assinam o comunicado o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, o canadense Mark Carney e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, além de outros chefes de governo.
Reunião na Suíça
Mais cedo, Kiev anunciou que autoridades ucranianas e americanas se reunirão em breve na Suíça para discutir o plano do presidente americano. Trump estabeleceu o prazo de 27 de novembro para que Kiev anuncie a sua resposta.
"Nos próximos dias, lançaremos na Suíça consultas entre altos responsáveis ucranianos e americanos sobre os possíveis parâmetros de um futuro acordo de paz", declarou o chefe do Conselho de Segurança ucraniano, Roustem Oumerov, nas redes sociais.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assinou um decreto convocando uma delegação encarregada de participar das negociações com Washington e, futuramente, com Moscou. O grupo, de perfil essencialmente militar, será liderado por seu braço direito, o chefe do gabinete presidencial, Andriï Iermak.
O plano de Trump, composto por 28 pontos, é visto com grande preocupação pela Ucrânia. A iniciativa retoma várias exigências centrais da Rússia: que Kiev ceda territórios, aceite a redução do tamanho de seu Exército e renuncie seu projeto de adesão à Otan. Em contrapartida, oferece garantias de segurança ocidentais para prevenir novos ataques russos.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou na sexta-feira (21) que apresentará "alternativas" à proposta de Washington, assegurando que não "trairá" seu país. "Estamos atravessando um dos momentos mais difíceis da nossa história", acrescentou, afirmando que as propostas americanas prenunciam "uma vida sem liberdade, sem dignidade, sem justiça".
Aliados europeus
Na manhã deste sábado, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou ter discutido o plano de Trump com aliados europeus e delineado seus "próximos passos". O chanceler indicou, nas redes sociais, ter conversado por telefone com os ministros das Relações Exteriores de França, Reino Unido, Polônia, Finlândia, a alta representante de Política Externa da União Europeia, Kaja Kallas, e representantes de Itália e Alemanha. Segundo ele, as trocas foram "oportunas e significativas".
Sybiha destacou ainda a importância de manter a pressão internacional para obrigar a Rússia a pôr fim à guerra. "Discutimos em detalhe os elementos das propostas de paz apresentadas pelos Estados Unidos e nosso trabalho conjunto para construir um caminho viável para uma paz justa", acrescentou.
A ministra de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, confirmou na rede X o apoio de Londres ao fim do conflito. "Devemos garantir um cessar-fogo total e um espaço para negociações significativas. A Ucrânia deve determinar o seu futuro", escreveu. "Trabalharemos com a Ucrânia, os Estados Unidos e a União Europeia pela paz."
(RFI com AFP)