Papa pede fim da 'barbárie da guerra' após ataque à única paróquia católica de Gaza
Durante os 21 meses de guerra entre Israel e Gaza, iniciada após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, o Vaticano manteve atenção constante — especialmente à comunidade cristã abrigada na Igreja da Sagrada Família. O predecessor de Leão XIV, o papa Francisco, telefonava diariamente para o padre Gabriel Romanelli, que ficou levemente ferido na perna durante o bombardeio israelense ocorrido na quinta-feira.
Durante os 21 meses de guerra entre Israel e Gaza, iniciada após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, o Vaticano manteve atenção constante — especialmente à comunidade cristã abrigada na Igreja da Sagrada Família. O predecessor de Leão XIV, o papa Francisco, telefonava diariamente para o padre Gabriel Romanelli, que ficou levemente ferido na perna durante o bombardeio israelense ocorrido na quinta-feira.
Em nota oficial, o Vaticano "voltou a manifestar preocupação com a dramática situação humanitária da população de Gaza, especialmente dos mais vulneráveis", conforme relata a enviada especial da RFI a Jerusalém, Aabla Jounaïdi. O primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, anunciou a abertura de uma investigação sobre o incidente. Em um gesto raro, ele expressou pesar pelas vítimas — sinal de que as diversas condenações internacionais tiveram peso.
Papa denuncia "barbárie da guerra" após ataque à Igreja da Sagrada Família
Neste domingo (20), o papa Leão fez um apelo pelo fim da "barbárie da guerra", expressando profunda tristeza após o bombardeio israelense que atingiu a única paróquia católica latina da Faixa de Gaza.
Três pessoas morreram e várias ficaram feridas no ataque à Igreja da Sagrada Família, na quinta-feira. Segundo imagens obtidas pela agência Reuters, o telhado da igreja ficou danificado, a fachada de pedra foi queimada e diversas janelas foram destruídas.
Após a oração do Angelus, o pontífice citou os nomes das vítimas e fez um apelo à comunidade internacional:
"Peço à comunidade internacional que respeite o direito humanitário e cumpra o dever de proteger os civis, além de proibir punições coletivas, o uso indiscriminado da força e o deslocamento forçado da população", declarou.
Delegação de líderes religiosos visita Gaza
Outro fato fora do comum: as autoridades israelenses autorizaram a entrada de uma delegação composta por representantes da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa Grega em Gaza. O patriarca latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, e o patriarca ortodoxo grego, Teófilo III, puderam visitar o local atingido e prestar solidariedade à comunidade cristã da cidade.
"Os patriarcas se encontraram com famílias que buscaram refúgio na igreja. Apresentaram suas condolências e constataram pessoalmente os danos causados pelo ataque mais recente", informou o Patriarcado Latino de Jerusalém em comunicado. A nota também destacou a preocupação das igrejas da Terra Santa com a situação da população de Gaza.
Pierbattista Pizzaballa e Teófilo III informaram que agências humanitárias facilitaram a visita, que também permitiu a entrega de alimentos e suprimentos médicos de emergência à população civil, que segundo a ONU enfrenta risco iminente de fome.
No entanto, as negociações indiretas com o Hamas seguem paralisadas, e os bombardeios continuaram na sexta-feira, 18 de julho, sobre Gaza e a Cidade de Gaza, deixando ao menos 35 mortos. Desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou 1.219 pessoas em Israel, os bombardeios israelenses já causaram a morte de pelo menos 58.667 pessoas — a maioria civis —, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.