Papa diz que abusos deixam 'feridas traumáticas' e cobra ambientes seguros na Igreja
Leão XIV já havia prometido combater casos de pedofilia em viagem à Espanha
O papa Leão XIV voltou a afirmar nesta quarta-feira (17) que os abusos causam "feridas traumáticas" que comprometem o desenvolvimento espiritual e humano das vítimas, e reiterou a responsabilidade da Igreja em promover ambientes seguros e acolhedores para todos.
A declaração foi feita durante audiência com representantes do "Centro de Pesquisa e Formação para a Proteção de Menores", realizada antes da audiência geral no Vaticano.
Segundo o Pontífice, para que a Igreja seja verdadeiramente um "lugar de encontro amoroso com Deus", é indispensável garantir "espaços seguros" para os fiéis.
"O encontro com Cristo deixa uma marca positiva em nós e nos impulsiona para uma vida plena de amor e liberdade, enquanto o oposto acontece em situações de abuso, que causam feridas traumáticas que afetam e diminuem o desenvolvimento espiritual e humano da pessoa", afirmou.
Leão XIV recordou que o próprio Evangelho alerta contra aqueles que se tornam motivo de escândalo para os mais vulneráveis e mencionou sua recente viagem apostólica à Espanha, durante a qual abordou a questão dos abusos com os bispos locais.
Na ocasião, Robert Prevost destacou a dor das vítimas que foram prejudicadas justamente por pessoas que deveriam protegê-las e destacou que a comunidade eclesial deve responder a esses casos.
"Estas são situações às quais a comunidade eclesial é chamada a responder com escuta, verdade, justiça, reparação e um compromisso cada vez mais forte com a prevenção e uma cultura do cuidado", declarou.
O líder da Igreja Católica ressaltou que a responsabilidade é especialmente daqueles que exercem o ministério pastoral, mas reiterou que o compromisso deve envolver todos os membros da Igreja.
Por fim, Leão XIV manifestou o desejo de que todos os ambientes ligados à Igreja, tanto presenciais quanto digitais, sejam espaços de confiança e acolhimento.
"A minha esperança é que todos os espaços da Igreja, sejam físicos ou virtuais, sejam verdadeiramente lugares de encontros fecundos com Jesus Cristo, livres de medo, suspeita e desconfiança", concluiu.
Durante sua viagem à Espanha, no início de junho, o Santo Padre reafirmou seu compromisso de continuar atuando pessoalmente, juntamente com toda a Igreja Católica, no enfrentamento dos abusos sexuais cometidos por membros do clero, classificando o problema como "uma ferida que ainda permanece aberta".
Além disso, pediu que a Igreja assegure às vítimas escuta, justiça, reparação e apoio concreto, ressaltando a importância do acolhimento. Nesse contexto, destacou que "um dos encontros mais dolorosos é com aqueles que foram feridos justamente pelas pessoas que deveriam cuidar deles, incluindo membros do clero".
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