Papa defende 'misericórdia' para padres culpados de abusos
Declaração está em mensagem enviada para bispos franceses
O papa Leão XIV defendeu que a Igreja tenha "misericórdia" com sacerdotes culpados de abusos sexuais contra menores de idade, chaga que abalou o catolicismo em diversos países do mundo nas últimas décadas.
A declaração está em uma mensagem enviada pelo pontífice, por meio do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, a uma assembleia plenária da Conferência Episcopal Francesa (CEF), em Lourdes.
"Um ponto de sua reflexão será a continuidade da luta contra o abuso contra menores e o processo de reparação que vocês empreenderam com determinação. É, de fato, apropriado perseverar nos esforços de prevenção já em curso", disse o Papa no texto.
Segundo Leão XIV, é preciso "continuar demonstrando a preocupação da Igreja com as vítimas e a misericórdia de Deus com todos". "É bom que os sacerdotes culpados de abusos não sejam excluídos dessa misericórdia e sejam objeto de vossas reflexões pastorais", acrescentou.
Um dos temas na pauta da assembleia da CEF é o destino da Instância Nacional Independente de Reconhecimento e Reparação (Inirr), organismo criado após a divulgação de um relatório, em 2021, que listou 330 mil menores de idade vítimas de abusos sexuais por parte de membros religiosos e leigos da Igreja Católica na França desde 1950.
O organismo encerrará suas atividades em agosto de 2026, e os bispos franceses discutem a criação de um mecanismo permanente para substituí-lo. "Após anos de crises dolorosas, chegou o momento de voltar o olhar com determinação para o futuro e de dirigir uma mensagem de encorajamento e confiança aos sacerdotes da França, que foram postos duramente à prova", afirmou Leão XIV.