Papa conversa com autor que pede investigação do grupo católico Opus Dei
O papa Leão se reuniu nesta segunda-feira com jornalista investigativo que acusa uma importante organização católica ligada a políticos de direita nos Estados Unidos e em outros países de encobrir crimes sexuais e financeiros, o que o grupo nega firmemente.
Leão conversou com o escritor britânico Gareth Gore, autor de um livro de 2024 sobre o Opus Dei, uma comunidade religiosa católica com cerca de 85.000 membros em 70 países. Em uma declaração posterior, Gore disse que pediu ao papa que inicie uma investigação formal sobre o grupo.
A assessoria de imprensa do Vaticano informou que o papa queria realizar a reunião para ouvir em primeira mão as alegações de Gore. Embora se encontre com diversas pessoas diariamente, é incomum que Leão tenha uma reunião particular com um jornalista.
O Opus Dei ("Obra de Deus") foi fundado em 1928 por um padre espanhol e ensina os católicos a buscarem a santidade por meio de seu trabalho. A maioria dos membros não são clérigos, mas mantêm práticas espirituais rigorosas e muitas vezes optam pelo celibato.
O grupo é conhecido por seus laços estreitos com o Vaticano, onde muitos funcionários são membros, incluindo pelo menos dois ex-diretores da assessoria de imprensa do Vaticano.
Entre as denúncias do livro, Gore disse que o grupo exerce controle emocional sobre seus membros e usa sua influência para perpetrar fraudes financeiras.
A organização rejeitou duramente as acusações de Gore, dizendo em uma declaração de 2024 que seu livro estava "repleto de fatos distorcidos". A organização não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a reunião do papa nesta segunda-feira.
O Opus Dei tem uma forte presença no Peru, onde Leão serviu como missionário por décadas antes de se tornar papa. O grupo diz que sua missão é difundir os ensinamentos cristãos em todo o mundo.