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Palestinos que vivem em Israel relatam repressão e marginalização desde 7 de outubro de 2023

Eles são descendentes dos palestinos que permaneceram no território após a criação de Israel em 1948. Embora tenham nacionalidade israelense e direitos civis, enfrentam discriminações amplamente documentadas. Após o 7 de outubro de 2023 e o que o governo chamou de "guerra existencial", o sentimento de exclusão se agravou ainda mais.

21 out 2025 - 15h57
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Eles são descendentes dos palestinos que permaneceram no território após a criação de Israel em 1948. Embora tenham nacionalidade israelense e direitos civis, enfrentam discriminações amplamente documentadas. Após o 7 de outubro de 2023 e o que o governo chamou de "guerra existencial", o sentimento de exclusão se agravou ainda mais.

Manifestantes pró-palestinos no norte de Israel (imagem ilustrativa). Entre repressão e marginalização, os palestinos de Israel estão sob pressão desde 7 de outubro de 2023.
Manifestantes pró-palestinos no norte de Israel (imagem ilustrativa). Entre repressão e marginalização, os palestinos de Israel estão sob pressão desde 7 de outubro de 2023.
Foto: RFI/Murielle Paradon / RFI

Aabla Jounaïdi, enviada especial da RFI a Jerusalém

Abed Abou Chehadé e sua esposa Hanine vivem em Jaffa, perto de Tel Aviv. No dia 7 de outubro de 2023, eles não comemoraram os massacres cometidos pelo Hamas. Abed apenas compartilhou imagens de crianças mortas em Gaza pelo exército israelense e rapidamente sofreu as consequências.

"Eu treinava em um clube de boxe. E por causa das minhas postagens no Instagram, fui excluído. Isso é o que mudou desde o 7 de outubro. Mostra como os israelenses estão completamente alinhados com o aparato de segurança", explica. "Somos punidos por nossas posições. Sem falar em perseguição política, nem sequer nos permitiram expressar nossa tristeza. Muitas pessoas aqui têm família em Gaza", lembra Abed Abou Chehadé.

"É como se não me reconhecessem por ser uma palestina. Tenho que reconhecê-los, com sua dor, sua história… Mas eu sou apagada", completa sua esposa Hanine.

O fim do sonho de uma sociedade inclusiva

Após o 7 de outubro, o sonho de uma sociedade inclusiva se desfaz de vez. Abed Abou Chehadé não é o único a pensar assim. Para organizações de defesa dos direitos humanos, uma verdadeira mordaça caiu sobre os palestinos de Israel. Elas atestam um aumento da vigilância e prisões arbitrárias de estudantes, artistas e representantes políticos. 

No Knesset, o Parlamento israelense, projetos de lei para reduzir sua representação avançam rapidamente. Um deles prevê, por exemplo, que um candidato possa ser excluído pela Comissão Eleitoral por suspeita de apoio ao terrorismo, caso visite um suspeito ou algum de seus familiares.

Isso coloca os dois partidos políticos "árabes", que também representam as minorias beduínas e drusas (ao todo 10 cadeiras no Knesset), diante de um desafio existencial, explica Jacky Khoury, jornalista do jornal de esquerda Haaretz. "Agora, os partidos estão refletindo sobre como responder a essas políticas promovidas por membros da direita e da extrema direita da coalizão no poder. A primeira questão é saber se esses partidos poderão participar das eleições. E depois, qual será a participação dos cidadãos árabes. Essa participação será tanto mais forte quanto mais unidos esses partidos se mostrarem".

Eleições legislativas de 2026: um desafio crucial

A questão central são as eleições legislativas do próximo ano e a permanência ou não de Benjamin Netanyahu no poder. O atual primeiro-ministro e líder do partido Likud declarou na semana passada sua intenção de se candidatar novamente. Dada sua popularidade em Israel, Abed e sua esposa têm pouca esperança de mudança, ao menos dentro do país.

"Até o 7 de outubro, nossos partidos participavam para tentar influenciar a política israelense. Para mim, isso não faz mais sentido. Precisamos participar, sim, mas dentro de uma 'luta' mais ampla. Por isso, nós, palestinos, devemos elevar o nível do nosso discurso, ir além da cena local e buscar uma representação internacional!", afirma Abed Abou Chehadé, que comentou amplamente a onda de reconhecimento da Palestina no mês passado em seu podcast semanal Place publique.

Mas esse descendente de palestinos que permaneceram no território que se tornou Israel em 1948 faz questão de manter a lucidez. "O mundo também permitiu que um genocídio acontecesse em Gaza", desabafa o jovem.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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