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Paciência estratégica ou nova escalada: como Israel pode responder a ataque do Irã

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convocou um gabinete de guerra para discutir o ataque do Irã.

14 abr 2024 - 10h52
(atualizado às 11h45)
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convocou um gabinete de guerra para discutir o ataque do Irã
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convocou um gabinete de guerra para discutir o ataque do Irã
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Os militares de Israel afirmam que 99% dos mísseis e drones disparados pelo Irã durante a noite de sábado (13/4) foram interceptados sem atingir os seus alvos. O Irã disse que o ataque foi uma resposta a um ataque mortal a um complexo diplomático iraniano na Síria, há duas semanas.

O que vem a seguir dependerá, em grande parte, de como Israel decidir responder ao ataque deste fim de semana.

Os países da região e de outros lugares, incluindo aqueles que são inimigos do regime iraniano, pediram contenção.

A posição do Irã é mais ou menos assim: "Conta acertada, ponto final, não revide ou montaremos um ataque muito mais forte contra vocês, que não serão capazes de repelir."

Mas Israel já prometeu "uma resposta significativa" e o atual governo tem sido frequentemente chamado de um dos mais linha-dura da história israelense.

É o governo que respondeu, em poucas horas, aos ataques mortais liderados pelo Hamas, em 7 de outubro de 2023, no sul de Israel, e depois passou os seis meses seguintes atacando a Faixa de Gaza.

É pouco provável que o gabinete de guerra de Israel deixe sem resposta este ataque direto do Irã, por mais calibrado e limitado que tenha sido o seu efeito no território.

Então, quais são as opções de Israel?

O país poderia ouvir seus vizinhos na região e exercer o que é conhecido como "paciência estratégica", abstendo-se de responder na mesma moeda e, em vez disso, continuar a atacar os aliados por procuração (proxy allies) do Irã na região, como o Hezbollah no Líbano ou os locais de abastecimento militar na Síria, como vem acontecendo há anos.

Israel poderia retaliar com uma série de ataques com mísseis de longo alcance semelhantes, cuidadosamente calibrados, visando apenas as bases de mísseis a partir das quais o Irã lançou o ataque deste fim de semana.

Isso ainda seria visto pelo Irã como uma escalada, uma vez que seria a primeira vez que Israel atacaria diretamente o Irã, em vez de atingir as suas milícias por procuração na região.

Ou Israel poderia optar por subir mais um degrau na escalada, alargando a sua possível resposta para incluir bases, campos de treinamento e centros de comando e controle pertencentes ao poderoso Corpo da Guarda Revolucionária do Irã, o IRGC.

Qualquer uma das duas últimas opções corre o risco de provocar novas retaliações por parte do Irã.

A questão chave aqui é se tudo isto arrasta os Estados Unidos, levando a uma guerra de tiros em grande escala entre o Irã e as forças dos EUA na região.

Os EUA têm instalações militares em todos os seis estados árabes do Golfo, bem como na Síria, no Iraque e na Jordânia.

Todos estes poderão tornar-se alvos do enorme arsenal de mísseis balísticos e outros mísseis que o Irã conseguiu acumular ao longo dos anos, apesar das sanções internacionais.

O Irã também poderia fazer algo que há muito tempo ameaça fazer se for atacado: poderia tentar fechar o estrategicamente vital Estreito de Ormuz, usando minas, drones e embarcações de ataque rápido, sufocando quase um quarto do abastecimento mundial de petróleo.

Este é o cenário de pesadelo, arrastando os EUA e os estados do Golfo para uma guerra regional, que muitos governos estão agora trabalhando dia e noite para evitar.

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