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Oriente Médio

Hamas faz campanha por radicalização de costumes islâmicos

27 jul 2009 - 16h16
(atualizado às 17h05)
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O movimento islâmico Hamas lançou uma campanha para que a população de Gaza evite comportamentos que vão contra o Islã, como que todas as mulheres cubram as formas de seus corpos, dos pés à cabeça. A campanha tem o lema "Sim à Virtude" e tem várias dimensões em sua aplicação, incluindo a defesa do recato em todo tipo de lojas e estabelecimentos públicos.

Mulheres palestinas caminham em frente a loja de roupas, na cidade de Khan Younis, na Faixa de Gaza
Mulheres palestinas caminham em frente a loja de roupas, na cidade de Khan Younis, na Faixa de Gaza
Foto: Reuters

Quatro jovens barbados apareceram nos últimos dias em uma das sedes de venda de uma conhecida empresa de telecomunicações palestina na cidade de Gaza, para pregar doutrinas islamitas, chamando a atenção de empregados e clientes. O pregador do grupo, empregado do Ministério para Assuntos Religiosos do Governo do Hamas na faixa, falou, em voz alta, sobre uma série de comportamentos que os residentes devem seguir e expôs um cartaz no qual Satanás olhava para uma menina com um lenço, mas, ao mesmo tempo, com uma camiseta e calças justas.

"Esta é uma vestimenta 100% diabólica", disse o funcionário, sobre um tipo de roupa comum entre a população mais jovem de Gaza, inclusive a mais conservadora. Para que não ficassem dúvidas sobre como se vestir, o funcionário advertiu que "Satã diz que a vestimenta é legal para o Islã, mas na realidade a mulher tem usar uma que cubra todo o corpo, preta, com uma túnica solta e um lenço que também cubra o pescoço".

O supervisor da campanha, Salah Abu Saqer, explicou que o objetivo é "orientar o povo sobre a boa moral e a verdadeira religião" e afirmou que os predicadores de rua não usarão a força em sua missão. É uma campanha "amigável, baseada em conselhos e guias pacíficos", disse.

O responsável confia, no entanto, que o Governo do Hamas ratifique estes objetivos com uma lei "que, se for aprovada, será aplicada como qualquer outra". O Hamas governa Gaza desde 2007, após enfrentar as forças leais ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, e expulsar os dirigentes da formação nacionalista secular Fatah.

Com cartazes e camisetas, os "missionários" que participam da campanha, vestidos em sua maioria com "chilabas", vão de loja em loja, todos os dias, e dão especial atenção às que encontram fotos de celebridades e modelos. Eles ameaçam os proprietários e pedem que mudem as imagens e retirem os manequins, "porque parecem corpos humanos sem alma e a alma é algo que só Alá pode conceder", diz Basel al-Madhun, membro de uma das patrulhas.

Sami Ajur, dono de uma loja de roupa feminina, se lamenta que os pregadores o obriguem a retirar seus manequins a força. "Como o povo vai saber que tipo é esta loja? Esta é minha única fonte de renda", diz.

Outro vendedor, Mohammed al-Jauni, afirma que as regras sobre os manequins consistem em "colocar roupas folgadas nelas e que mostrem somente o rosto e as mãos, porque quando elas parecem sedutoras, aumentam o desejo sexual dos homens". A nova campanha islâmica inclui também cartazes nos quais o Hamas recomenda à população que veja somente sete canais de televisão, incluindo o seu: o al-Aqsa.

Outros cartazes alertam à população contra o "amigo demoníaco" que são as drogas, o tabaco e a pornografia. Panfletos menores advertem sobre o significado de palavras em inglês em camisetas infantis. Porco, vício ou atração são alguns dos termos traduzidos.

Além disso, a campanha dedica também uma longa explicação ao termo "bye", que, de acordo com eles, significa "que o papa te abençoe". Outros panfletos instruem os cidadãos sobre as situações nas quais homens e mulheres não devem sentar-se juntos, como em acampamentos de verão, excursões à praia, festas e reuniões em cafeterias e universidades.

Jamil Sarhan, da Comissão Independente para os Direitos Humanos (ICHR, na sigla em inglês), com sede em Gaza, protestou contra a nova campanha e lembrou que a Lei Básica palestina "enfatiza o respeito aos Direitos Humanos e à dignidade pessoal". Junto a outras organizações pró-direitos humanos locais luta igualmente "para conseguir que se cancele a recente decisão do Poder Judiciário do Hamas que obriga às advogadas a comparecerem aos tribunais com um uniforme islâmico específico".

EFE   
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