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Grandes potências e AIEA retomam negociações nucleares com o Irã

14 mai 2013
09h07
atualizado às 09h39
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As grandes potências do Conselho de Segurança da ONU e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) retomam na quarta-feira, em Istambul e Viena, as respectivas negociações nucleares com o Irã.

Estes contatos, paralisados há semanas pela falta de acordo, servem para explorar a possibilidade de seguir adiante com o processo negociador, no meio da incerteza das eleições presidenciais na República Islâmica em junho.

Após dez rodadas de negociações, os representantes da AIEA voltaram em 14 de fevereiro de Teerã com as mãos vazias, sem o desejado acordo sobre o chamado "procedimento estruturado".

Há mais de um ano, a AIEA tenta fazer com o que o regime de Teerã concorde com mais inspeções às instalações e mais acesso de técnicos iranianos, que ajudem a descartar a existência de possíveis dimensões militares de seu programa nuclear.

Concretamente, os inspetores da AIEA exigem uma visita à base militar de Parchin, nos arredores de Teerã, onde diferentes serviços de inteligência suspeitam há anos que são realizados experimentos atômicos clandestinos com fins militares.

O Irã assegura que não tem nada para ocultar, mas rejeita este pedido alegando motivos de segurança nacional, ao mesmo tempo que imagens de satélite demonstram que limpou e alterou as infraestruturas nas zonas mais suspeitas de Parchin.

A reunião de amanhã em Viena, liderada por parte da AIEA por seu inspetor chefe de controles nucleares, o belga Herman Nackaerts, será realizada uma missão permanente no Irã perante este organismo.

Fontes diplomáticas próximas à AIEA, consultadas pela EFE em Viena, mostraram o ceticismo sobre o encontro acabar com um acordo.

De fato, disseram que o Irã volta a mostrar um cárater conciliador justo quando faltam poucas semanas para o início de um novo relatório sobre suas atividades nucleares e para a reunião do Conselho de Governadores da AIEA,que poderia reprovar sua falta de cooperação na investigação, que já dura uma década.

Similar é a situação nas negociações paralelas que o Irã mantém com o chamado grupo P5+1, composto pelas cinco potências nucleares do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e o Reino Unido) e Alemanha.

Estas conversas buscam um "acordo global" que elimine o perigo de um enfrentamento bélico.

Os Estados Unidos e Israel não descartam uma intervenção militar se o Irã avançar em seu programa nuclear até o ponto de ter capacidade para construir armas atômicas.

A última rodada das conversas, realizada no Cazaquistão em abril, foi considerada pela comunidade internacional como um fracasso.

Na reunião do Cazaquistão, as grandes potências ofereceram ao Irã suavizar parte das sanções impostas ao país, em troca que desacelere seu ritmo de produção de urânio enriquecido, um material de duplo uso, civil e militar.

A reunião bilateral de amanhã pela tarde em Istambul entre o negociar nuclear iraniano, Saeed Jalili, e a alta representante de política externa da União Europeia (UE), Catherine Ashton, tem como objetivo explorar a via para retomar o processo negociar.

Uma fonte comunitária, consultada hoje pela EFE, se limitou a assinalar que é "demais em breve" para saber qual será o resultado das conversas de amanhã.

EFE   
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