G7 pede "decisões corajosas" a negociadores da Líbia no Marrocos
Os parlamentos rivais líbios iniciaram nesta segunda-feira uma nova rodada de negociações no Marrocos, considerada "decisiva" pela ONU, sob a pressão dos líderes do G7 que pedem "decisões políticas corajosas" para acabar com a guerra civil que assola o país.
Mergulhado no caos desde a queda de Muammar Gaddafi em 2011 e devastado pelos combates entre milícias armadas, o país está dividido entre duas autoridades e enfrenta a ascensão do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).
O país tem agora dois governos e parlamentos rivais: um em Trípoli, dominado pelas milícias da Fajr Libya, e outro para o leste, em Tobruk, a única liderança reconhecida pela comunidade internacional.
Há um mês a ONU tenta iniciar um compromisso de ambos os lados para formar um governo de unidade nacional contra o aumento do jihadismo. O objetivo do seu enviado, Bernardino Leon, é chegar a um acordo antes do início do Ramadã, que começa em 17 de junho.
"Hoje, os olhos do povo líbio convergem para vocês (...), com a esperança de que suas ações silenciem as armas (...). Está em suas mãos evitar novas tragédias aos líbios", afirmou o diplomata espanhol.
"Os recentes ataques terroristas deveriam agir como um gatilho. A luta deve parar", acrescentou.
Os negociadores vão trabalhar nesta rodada um quarto projeto de acordo, que inclui as "últimas observações das partes", segundo a Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia Unidas (Minul), após a rejeição das três anteriores.
A Minul chamou na última sexta-feira de "decisiva" esta nova rodada, salientando que as negociações estão em um "ponto de viragem " e exortou "todas as partes" para "assumirem suas responsabilidades perante a história", recordando que "não há solução militar" possível no conflito.
Nesta segunda-feira, durante a reunião do G7 na Alemanha, os países também pressionaram as delegações da Líbia, instando-as a tomarem "decisões políticas corajosas" em sua declaração final.
"As autoridades líbias devem aproveitar a oportunidade para concluir estas negociações e formar um governo de unidade nacional e atenda primeiramente aos líbios", afirmaram os G7, antes de oferecerem apoio para ajudar este governo hipotético a "criar instituições públicas eficazes" e se livrarem dos "terroristas e as redes criminosas" que operam no país.
Segundo Bernardino Leon, o quarto projeto de resolução inclui alterações que consagram o "princípio do equilíbrio entre todas as instituições na Líbia e de consenso". "Ainda é possível salvar a Líbia", disse o emissário.
A ONU está pronta para fornecer uma lista de nomes de pessoas dispostas a integrar o governo de unidade nacional, logo que chegar a um acordo, disse Leon.
Paralelamente às negociações no Marrocos, os representantes líbios de diferentes facções discutem periodicamente na Argélia. Na última quarta-feira e quinta-feira, 27 autoridades líbias se encontraram em Argel, na presença do enviado da ONU.
Eles exortaram as partes a "formar rapidamente um governo de unidade" para resolver os problemas do país nas áreas de "segurança, economia e política".
Reunidas no Cairo no último domingo, autoridades egípcias, argelinas e italianas também deram seu "apoio" às negociações. A Itália anunciou que um acordo na Líbia iria parar o fluxo de migrantes que deixam as costas deste país para chegar à Europa.
O Egito teme que as milícias jihadistas que ocupam uma parte do leste da Líbia, em especial as que estão ligadas ao grupo EI, coloquem em risco a fronteira ocidental, forçando-a a abrir uma segunda frente. O exército egípcio combate no Sinai um grupo muito ativo que jurou fidelidade ao EI.
O EI, essencialmente implantado na Síria e no Iraque, se aproveitou no caos reinante para se instalar na Líbia no ano passado, e no final de maio tomou o controle do aeroporto internacional de Sirte (sul).