Erdogan oferece Istambul para debate entre Irã e Grupo 5+1
O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ofereceu nesta quarta-feira em Teerã a cidade de Istambul como sede das reuniões que, a partir de 13 de abril, representantes do Grupo 5+1 e do Irã farão para debater o conflito criado pelo programa nuclear iraniano.
"Propusemos abrigar as conversas em Istambul, e a parte iraniana mostrou sua disposição para que aconteçam lá", disse Erdogan em entrevista coletiva conjunta com o primeiro-ministro iraniano, Mohamad Reza Rahimi.
"Também conversamos com a outra parte, o Grupo 5+1 (composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha), e estamos esperando os resultados da consulta e sua opinião. Nossa postura pretende contribuir para o processo negociador", disse Erdogan.
Rahimi, por sua vez, se mostrou agradecido à oferta de Erdogan e disse que o Irã estará satisfeito se as conversas acontecerem em Istambul.
Uma fonte diplomática iraniana disse à Agência Efe que o negociador nuclear iraniano Saeed Jalili, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, e Catherine Ashton, chefe da diplomacia da UE e coordenadora do 5+1, estão em contato para decidir a sede das conversas o mais breve possível.
Anteriormente, o ministro iraniano de Relações Exteriores, Ali Akbar Salehi, tinha confirmado que as reuniões com o 5+1 começarão em 13 de abril, mas especificou que o lugar da reunião ainda estava a ser definido.
Erdogan, que chegou hoje a Teerã vindo de Seul, onde participou da II Cúpula de Segurança Nuclear, não quis se pronunciar em uma entrevista coletiva se era portador de alguma mensagem, especialmente do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para as autoridades iranianas.
Além disso, ele afirmou que pessoalmente é contra o uso da tecnologia nuclear para construir armas, mas acrescentou que nenhum país tem direito a usar a força contra outro por utilizar a tecnologia atômica para fins pacíficos.
Por sua vez, Rahimi disse que o Irã desenvolve exclusivamente tecnologia nuclear para fins pacíficos, acusou o Ocidente de querer "monopolizar" o uso da energia atômica e afirmou que o Irã está disposto a colocá-la "a serviço de nossos amigos e irmãos, especialmente da Turquia", para usos civis e pacíficos.
Tanto Erdogan como Rahimi comentaram na entrevista coletiva que a Turquia e o Irã têm um plano para duplicar os intercâmbios comerciais entre os dois países em poucos anos e passar de US$ 16 bilhões em 2011 a US$ 35 bilhões em 2015.
Nesta visita ao Irã, uma das missões de Erdogan é explicar aos dirigentes iranianos as decisões da Cúpula de Segurança Nuclear e o conteúdo das conversas que teve em Seul com Obama.
Com Ahmadinejad, o premiê turco debaterá também a questão nuclear iraniana e as sanções derivadas dela, que podem afetar as relações bilaterais, pois a Turquia importa do Irã a maior parte do gás natural e pouco mais da metade do petróleo que utiliza.
Além disso, o conflito da Síria, no qual Teerã apoia sem hesitar o regime de Damasco, e Ancara é favorável à oposição que pretende derrubá-lo, será outra das questões da pauta.
Na quarta-feira passada foi anunciado que o ex-secretário-geral da ONU e enviado especial da organização para a Síria, Kofi Annan, visitará Teerã na próxima semana para falar sobre a questão com as autoridades do Irã.