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Após guerra, EUA acumulam legião de feridos e traumatizados

30 ago 2010
12h52
atualizado às 14h30
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A retirada americana do Iraque não coloca um ponto final aos problemas relacionados ao conflito. O governo enfrenta agora o desafio de atender aos milhares de soldados que retornaram mutilados e com traumas psicológicos. Se não bastasse isso, dezenas de soldados com diagnóstico de estresse pós-traumático morreram depois de tomar o medicamento indicado pelas autoridades militares americanas.

O veterano Andrew White morreu dormindo após ingerir o medicamento Seroquel
O veterano Andrew White morreu dormindo após ingerir o medicamento Seroquel
Foto: AP

Segundo reportagem da agência AP, o departamento que cuida dos assuntos relacionados aos veteranos de guerra dos Estados Unidos vem receitando há cinco anos o remédio Seroquel para os soldados que apresentam sintomas de estresse pós-traumático (PTSD, na sigla em inglês). No entanto, a droga - a quinta mais vendida no país - vem causando a morte de alguns militares que vinham fazendo uso dela.

É o caso de Andrew White, que voltou do Iraque com sintomas do PTSD - como insônia e pesadelos - após nove meses de serviço. Médicos receitaram Seroquel, mas os sintomas persistiram. A dosagem foi, então, aumentada. Aos 23 anos de idade, o veterano estava tomando 1.600 miligramas por dia - mais do que o dobro indicado para alguém com esquizofrenia. Pouco tempo depois, White morreu enquanto dormia.

Uma investigação concluiu que White também ingeriu antidepressivos e medicamentos contra a ansiedade, assim como analgésicos. Todos sem que houvesse prescrição. O caso de auto-medicação não impediu, no entanto, que as famílias de veteranos ficassem preocupadas com o uso do Seroquel. Segundo eles, o governo pode não estar levando em conta os riscos da medicação. Agora, querem que o Congresso investigue o caso.

Compromisso de Obama
Nos últimos sete anos, quase 1,5 milhão de homens e mulheres serviram nesta guerra que, em seus momentos de maior intensidade, chegou a ter deslocados 171 mil soldados. Cerca de 30 mil retornaram com ferimentos físicos e lesões psicológicas. Agora, os veteranos esperam que Obama se comprometa amanhã a colocar todos os recursos disponíveis para evitar que os veteranos fiquem à margem da sociedade.

No sábado, Obama reconheceu que o maior problema são os soldados que sofrem lesões cerebrais e estresse pós-traumático (PTSD, na sigla em inglês), dado que "poucos recebem o diagnóstico e cuidados adequados". Mas "estamos mudando isso", disse Obama, ao lembrar que o governo está investindo recursos no tratamento e atenção dos doentes e em tratamentos para reduzir a alta taxa de suicídios.

Cerca de 30% dos soldados que retornaram do Iraque sofrem de problemas mentais graves após terem presenciado mortes, mutilações, combates e a tensão constante de viver em uma zona de guerra. Um estudo da revista Military Medicine aponta que 62% dos soldados que retornaram receberam ou precisam de tratamento psicológico; 6% mostram síndrome de estresse pós-traumático e 27% passaram a abusar de álcool.

Sem empregos
Os traumas não são o único obstáculo enfrentado pelos soldados ao voltar ao país, que segue sofrendo as conseqüências da pior crise econômica desde a Grande Depressão. "O maior problema que eu vejo agora é que os veteranos voltam e muito não encontrarão seus empregos", disse Tracy Handschuh da Operation Homefront, um grupo que ajuda aos militares na solução de suas emergências financeiras.

Apesar de as empresas terem obrigação legal de manterem os postos de trabalho dos reservistas quando estes são enviados a missões no exterior "isso não funciona se a companhia fechou durante a recessão", comentou Handschuh, quem acrescentou que "quando o soldado volte talvez o emprego já não exista mais".

Com informações das agências EFE e AP

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EFE   
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