Orbán nega necessidade de cortes de gastos na Hungria após eleições de abril
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, negou neste sábado que terá de impor medidas de austeridade para conter o déficit orçamentário caso vença as eleições de abril, acrescentando que seu partido de direita, o Fidesz, manterá suas principais políticas de gastos.
No poder desde 2010, o veterano nacionalista está atrás de um adversário de centro-direita na maioria das pesquisas de opinião. Além disso, enfrenta o período econômico mais fraco de seus 16 anos de governo, com o país praticamente estagnado desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, que causou inflação em toda a Europa Central.
Economistas afirmam que quem quer que vença a votação de 12 de abril terá poucas opções além de apertar o cinto após os altos gastos pré-eleitorais.
"Isso é uma mentira descarada", disse Orbán em um comício de campanha, citando a visão dos economistas sobre as finanças da Hungria. "O estado da economia húngara não exige nenhum tipo de austeridade."
No final do ano passado, o governo de Orbán elevou suas metas de déficit orçamentário para 5% em 2025 e no ano eleitoral de 2026, a fim de viabilizar gastos pré-eleitorais. Essas medidas contribuíram para que a Fitch Ratings rebaixasse sua perspectiva para a dívida da Hungria para negativa.
Orbán afirmou que o déficit orçamentário da Hungria, que ultrapassou as previsões do governo nos últimos anos, terá que ser reduzido "com calma, lentidão e gradualmente", à medida que as perspectivas econômicas melhorarem.
"Não precisamos de austeridade e nada deve ser tirado do povo", disse Orbán. Ele afirmou que a taxa de juros subsidiada de 3% para hipotecas e o plano de isenção do imposto de renda para mães com dois filhos até o final do próximo ciclo governamental permaneceriam intactos caso ele seja eleito.
Com o Fidesz tentando se defender do rival de centro-direita Tisza, o governo de Orbán lançou um programa de 100 bilhões de florins (US$310 milhões) para ajudar o setor de restaurantes, além de uma medida de 50 bilhões de florins (US$160 milhões) para reduzir as contas de aquecimento doméstico.
Dados divulgados na sexta-feira mostraram que a economia da Hungria permanece praticamente estagnada pelo terceiro ano consecutivo, apresentando desempenho inferior ao da vizinha Polônia e ao da República Tcheca. Alguns analistas reduziram suas projeções de crescimento do país para 2026 após os números fracos.