ONG francesa participa da distribuição de alimentos em Gaza, apesar de bloqueio imposto por Israel
Diante da impossibilidade de levar ajuda humanitária até a Faixa de Gaza, bloqueada por Israel, uma ONG francesa tenta como pode contribuir com a população local. Há 40 dias nenhum caminhão pode entrar no enclave palestino.
Diante da impossibilidade de levar ajuda humanitária até a Faixa de Gaza, bloqueada por Israel, uma ONG francesa tenta como pode contribuir com a população local. Há 40 dias nenhum caminhão pode entrar no enclave palestino.
Rami Al Meghari e Sami Boukhelifa, correspondentes da RFI em Gaza e Jerusalém, e agências
A comunidade internacional alerta há dias sobre a situação na Faixa de Gaza. Em uma declaração conjunta, os diretores do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher; da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus; do Unicef, Catherine Russell; e do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Cindy McCain, pediram ao mundo na segunda-feira (7) que "aja urgentemente para salvar os palestinos de Gaza", onde a população se encontra "encurralada, bombardeada e faminta, enquanto alimentos, remédios, combustível e abrigos se acumulam nas passagens fronteiriças e a entrada de equipamentos vitais é interrompida", após mais de um mês de bloqueio imposto por Israel.
"As alegações de que há comida suficiente para alimentar os palestinos estão muito distantes da realidade no terreno. Os estoques estão extremamente baixos", insistiram. "Estamos testemunhando atos de guerra em Gaza que demonstram um flagrante desprezo pela vida humana", afirmaram.
Quem vive no enclave atualmente enfrenta longas filas se quiser se beneficiar da parca ajuda humanitária existente. É o caso de Mahmoud, que esperou para poder voltar para casa com um pequeno pacote de alimentos, distribuído por uma das raras humanitárias presentes.
"Duvido que tolerem passar uma hora aqui"
"Não há quase nada nos mercados. E o pouco que há é muito caro", contou à reportagem da RFI. "Acabei de conseguir um pote de mel. Não via isso há quase um ano. Eles também nos deram carne enlatada, queijo e óleo", relatou.
Oum Arafat também recebeu um pequeno pacote de alimentos. O suficiente para alimentar sua família por uma semana.
Ao ser questionada sobre o papel da comunidade internacional, no momento em que o presidente francês Emmanuel Macron realiza uma visita na fronteira com o enclave, ela se irrita. "Será que eles realmente não podem fazer nada por nós? Por todo o povo de Gaza? Será que eles realmente não sabem pelo que estamos passando?", desabafou. "Deixe que eles venham e vejam por si mesmos. Duvido que eles tolerem passar nem que seja uma hora aqui", disse, em um recado direto para líderes árabes e estrangeiros, entre eles ao presidente francês, que estava a apenas alguns quilômetros de lá.
A pouco ajuda é dada por organizações locais, como a Al Amal, que distribuía os pacotes recebidos por Mahmoud e Oum. Mas a atuação dessa entidade só é possível graças à contribuição financeira da Life, uma ONG francesa.
"A Life nos permitiu distribuir 1.700 pacotes de alimentos durante o mês do Ramadã", detalha Sami Salah, um representante da Al Amal. "É o suficiente para alimentar cerca de 10.000 pessoas na Faixa de Gaza", detalha.
No entanto, as necessidades locais são imensas. Israel tem impedido a entrega de ajuda humanitária desde 2 de março, o mais longo período de bloqueio desde o início da guerra, alerta a ONU.