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"O que resta para bombardear?" Plano de Israel de expandir campanha propaga medo em Gaza

7 mai 2025 - 19h33
(atualizado em 7/5/2025 às 06h08)
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O plano de Israel de expandir sua ofensiva em Gaza, deslocar pessoas dentro do enclave e assumir o controle da distribuição de ajuda deixou os habitantes de Gaza, que já sofreram diversos deslocamentos e escassez de alimentos durante 19 meses de conflito, horrorizados.

Israel tem bloqueado a entrada de toda a ajuda em Gaza desde 2 de março, com o colapso de um cessar-fogo de dois meses com o Hamas que havia melhorado o acesso dos habitantes de Gaza a alimentos e medicamentos e permitido que muitos deles voltassem para casa.

Para Aya, de 30 anos, moradora da Cidade de Gaza, que voltou para casa com a família durante o cessar-fogo depois de meses na parte sul da faixa, o anúncio de Israel na segunda-feira aumentou o medo de ser morta ou deslocada indefinidamente.

"Será que vamos morrer desta vez?", disse ela em uma mensagem em um aplicativo de bate-papo.

"Eles vão nos deslocar novamente? Vamos acabar em Rafah, e essa será a última vez, ou eles vão nos forçar a sair de Gaza depois de Rafah?", disse referindo-se à área de Rafah, no sul de Gaza, próxima à fronteira com o Egito.

Ao comparecer a um funeral nesta segunda-feira para várias pessoas mortas em um ataque aéreo israelense a um prédio na Cidade de Gaza, Mohammed al-Seikaly disse que a situação era tão terrível que é difícil imaginar como Israel poderia intensificar ainda mais o ataque.

"Não há mais nada na Faixa de Gaza que não tenha sido atingido por mísseis e barris de explosivos", disse. "Estou perguntando na frente do mundo inteiro: 'O que resta para bombardear?'"

Nesta terça-feira, os ataques militares israelenses mataram pelo menos 46 palestinos em toda a Faixa de Gaza, segundo autoridades de saúde locais. Os médicos disseram que pelo menos 29 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram mortas em uma escola que abrigava famílias deslocadas no campo de Bureij, na região central da Faixa de Gaza.

Segundo os médicos, a escola foi atingida duas vezes em um intervalo de poucas horas.

Após o primeiro ataque aéreo, o Exército israelense disse que havia atingido terroristas que operavam em um centro de comando usado para armazenar armas e planejar e organizar ataques contra Israel. Não houve comentário imediato do Exército após o segundo ataque.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que a operação militar ampliada deve ser "intensiva", envolver a manutenção de territórios tomados e a transferência de palestinos "para sua própria segurança".

ESCASSEZ DE ALIMENTOS

Uma autoridade israelense disse que o plano deve envolver o deslocamento da população civil para o sul e o controle da distribuição de ajuda para evitar que os alimentos caiam nas mãos do Hamas, grupo militante islâmico cujo ataque a Israel em outubro de 2023 desencadeou a atual operação militar de Israel em Gaza.

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários rejeitou o plano nesta terça-feira e o considerou "o oposto do que é necessário".

Tamer, um homem de Khan Younis, na metade sul da Faixa, disse temer que Israel possa impor seu próprio sistema de triagem para decidir quem vai receber alimentos.

"Eles prenderão pessoas e matarão outras antes de permitir que o restante entre nas áreas designadas?", disse ele.

Os 2,3 milhões de habitantes de Gaza lutam contra a escassez de alimentos -- muitos comem apenas uma vez por dia. O Programa Mundial de Alimentos disse em 25 de abril que havia esgotado os estoques de alimentos na Faixa.

Muitas vezes não é possível encontrar farinha, mas quando há um raro saco disponível, ele pode custar até US$500, em comparação com 25 shekels (US$ 7) antes da guerra, disse Aya.

"Eles estão nos matando de fome para que possamos concordar com qualquer coisa. Queremos o fim da guerra. Que eles levem seus prisioneiros (reféns israelenses) e acabem com a guerra. Chega", acrescentou ela.

Alguns moradores têm se alimentado de ervas ou folhas, enquanto os pescadores têm se dedicado à captura de tartarugas marinhas e à venda de sua carne.

Autoridades israelenses afirmam que ainda há alimentos suficientes em Gaza, embora o chefe das Forças Armadas de Israel tenha alertado a liderança política de que os suprimentos devem ser liberados em breve, informou a emissora pública Kan.

O Hamas, que governa Gaza desde 2007, acusa Israel de "usar alimentos como arma em sua guerra contra o povo de Gaza".

A atual guerra começou em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas matou 1.200 pessoas e fez 251 reféns, segundo registros israelenses.

A campanha de Israel matou mais de 52.000 palestinos, a maioria civis, de acordo com as autoridades de saúde administradas pelo Hamas, e reduziu grande parte de Gaza a ruínas.

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