Nova flotilha humanitária para Gaza faz escala em Túnis e UE diz que "não incentiva" a ação
As embarcações da Flotilha Global Summud que zarparam de Barcelona para Gaza atracaram no porto de Sidi Bou Said, em Túnis, na Tunísia, no domingo (7), para uma escala. A ativista sueca Greta Thunberg e o humanitário brasileiro Thiago Avila fazem parte do grupo e foram recebidos por centenas de tunisianos. A Comissão Europeia informou nesta segunda-feira (8) que "não incentiva" a partida de flotilhas com ajuda humanitária para Gaza.
As embarcações da Flotilha Global Summud que zarparam de Barcelona para Gaza atracaram no porto de Sidi Bou Said, em Túnis, na Tunísia, no domingo (7), para uma escala. A ativista sueca Greta Thunberg e o humanitário brasileiro Thiago Avila fazem parte do grupo e foram recebidos por centenas de tunisianos. A Comissão Europeia informou nesta segunda-feira (8) que "não incentiva" a partida de flotilhas com ajuda humanitária para Gaza.
A Flotilha Global Sumud ("sumud" significa resiliência em árabe), que inclui participantes de 44 países, chegou à Tunísia após partir de Barcelona, na Espanha, e a previsão é de que retome sua trajetória em direção à Gaza quarta-feira (10), após dois adiamentos devido a questões logísticas e más condições climáticas. A iniciativa marítima busca romper o bloqueio israelense ao enclave e entregar ajuda humanitária.
A consultora Mouna Matari assistiu, no porto de Sidi Bou Said, com grande emoção, à chegada dos barcos. Quatro décadas atrás, ela veio receber combatentes palestinos e líderes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), retirados de Beirute para Bizerte, na Tunísia, após a invasão israelense do Líbano em 1982.
"Testemunhei a chegada da OLP a Bizerte em 1982. Eu era muito mais jovem e, infelizmente, agora compreendo toda a jornada e a repetição dessa história dramática. Mas acho que hoje, o movimento de solidariedade que estamos vendo e a juventude se levantando na Europa ainda é, em comparação com o período que vivi, algo muito novo", diz.
Martina, uma trabalhadora humanitária italiana que vive na Tunísia, agita a bandeira palestina com jovens tunisianos na praia. "Estou aqui, é claro, por solidariedade, para apoiar o povo palestino, mas acredito que a solidariedade do povo tunisiano é magnífica e é muito importante compartilhar este momento desta forma."
Os organizadores na Tunísia lançaram um apelo em busca de ajuda para resolver os problemas logísticos que os forçaram a adiar a partida, incluindo a falta de capitães e mecânicos voluntários para acompanhar os barcos.
Outros navios deixam a Itália com destino a Gaza
Embarcações da Itália também participam da iniciativa. A ONG Emergency disponibilizou um de seus navios para auxiliar a flotilha, e várias embarcações partiram do porto de Gênova também no domingo. A cidade, tradicionalmente antifascista, onde o ativismo permanece forte, tem se envolvido fortemente na expedição humanitária.
Na semana passada, uma marcha levou milhares de pessoas ao porto genovês para denunciar os crimes cometidos em Gaza e o bloqueio humanitário. Vários sindicatos se mobilizaram, começando pelo poderoso CALP, o coletivo autônomo de trabalhadores portuários.
"Se perdermos contato, mesmo que por 20 minutos, com nossos camaradas da flotilha, bloquearemos toda a Europa e haverá uma greve geral", ameaçou um os líderes do sindicato. Milhares de genoveses, apoiados por Silvia Salis, prefeita da cidade, também se mobilizaram para uma arrecadação de alimentos, embarcados em vários barcos que partiram de Catânia, na Sicília, e se juntarão à flotilha.
Associações de cidadãos, juntamente com Salis, pediram ao ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, que monitore de perto a segurança dos barcos até a Faixa de Gaza, onde devem chegar em meados de setembro, caso não sejam interceptados pelo exército israelense.
Posição da União Europeia
A porta-voz da Comissão Europeia, Eva Hrncirova, alertou, nesta segunda-feira, que o órgão "não incentiva" a partida de flotilhas com ajuda humanitária para Gaza.
"Não incentivamos esse tipo de flotilha, pois pode piorar significativamente a situação e também colocar seus participantes em perigo", explicou. "Acreditamos que a melhor maneira de entregar ajuda humanitária é por meio de nossos parceiros. É isso que estamos tentando alcançar", acrescentou.
A nova iniciativa surge após uma tentativa semelhante de entrega de ajuda a Gaza, da qual Greta Thunberg e Thiago Avila já haviam participado, mas que fracassou. O veleiro onde estavam, o Madleen, com 12 ativistas a bordo, foi interceptado em 9 de junho por forças israelenses a cerca de 185 km a oeste da costa de Gaza.
"Isso não ajudou" a melhorar a situação em terra, comentou a porta-voz da Comissão. A ONU declarou estado de fome na Faixa de Gaza, território devastado pela guerra israelense, no final de agosto, depois que seus especialistas alertaram que 500.000 pessoas estavam em uma situação "catastrófica".
RFI e AFP