Navios de guerra americanos chegam a base na Grécia
Os Estados Unidos mobilizaram vários aviões e efetivos militares em sua base militar na ilha grega de Creta, no sudeste do Mediterrâneo, como parte de um plano de preparação para uma eventual missão na Líbia. As declarações foram dadas à Efe por uma fonte do Ministério da Defesa grego que pediu o anonimato nesta sexta-feira.
A embarcação americana USS Kearsarge havia chegado na quarta-feira à base naval grega acompanhado por rebocadores, informou nesta sexta-feira de Creta a agência de notícias grega ANA. Ao todo, 77 oficiais e 1,1 mil marinheiros viajam a bordo desse navio que transporta aviões, helicópteros e barcos anfíbios. Além disso, a embarcação leva foguetes Sea Sparrow e Rolling Airframe, assim como sistemas antiaéreos Phalanx. Há também uma unidade médica para atender a 600 pacientes.
A presença da embarcação de guerra na ilha provocou o protesto de parte da população e do Partido Comunista da Grécia (KKE), que convocou para esta sexta-feira uma manifestação na praça central da cidade de Hania. "Atualmente na região se encontram seis aviões C-130 americanos, dois C-160 alemães e dois aviões de reconhecimento RC 135 americanos", informou a fonte do Ministério da Defesa em referência às notícias sobre movimentos de soldados e material bélico em território grego.
Um destacamento de 400 marines chegou na quarta-feira à base dos EUA para ser trasladado a navios de guerra no Mediterrâneo. "Os EUA não têm tropas na Líbia, mas se encontram em estado de alerta", disse à Efe um porta-voz da embaixada americana em Atenas, em relação à chegada dessas unidades de Infantaria da Marinha à ilha de Creta.
A embaixada informou que "os EUA estão mobilizando tropas e equipamento naval na região, para estar preparados e dar opções ao presidente (americano, Barack Obama)", acrescentou o porta-voz. Outra fonte do Governo grego revelou que atualmente "se encontram mobilizadas no Mediterrâneo forças navais com quatro navios de guerra americanos, dois alemães, quatro franceses, quatro italianos e um chinês".
O ministro da Defesa grego declarou na quinta-feira no Parlamento que "não há razão para iniciar uma intervenção militar contra a Líbia a partir da base naval grega, já que há uma força americana mobilizada no Mediterrâneo". Ele acrescentou que o movimento de tropas e de navios e aviões na região "está sob a constante supervisão de um oficial grego".
Por sua vez, o ministro das Relações Estrangeiras, Dimitris Drutsas, ressaltou que Atenas cumprirá com as obrigações que ditam os acordos internacionais em relação às resoluções da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da ONU.
Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.
Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.
Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.
Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renuncioue pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbiostambém pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.