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Na Rússia, chanceler iraniano acusa Washington de ter sabotado as negociações

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou nesta segunda-feira (27) Washington de ter inviabilizado as negociações de paz, durante uma visita à Rússia na qual o presidente Vladimir Putin lhe assegurou apoio para pôr fim à guerra.

27 abr 2026 - 16h03
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As tentativas de retomar as conversas sobre o cessar-fogo e sobre a reabertura à navegação do estreito de Ormuz - iniciadas no começo de abril em Islamabad - fracassaram até agora diante da postura inflexível adotada por Washington e Teerã.

O presidente russo Vladimir Putin aperta a mão do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante encontro na Biblioteca Presidencial Boris Yeltsin, em São Petersburgo, em 27 de abril de 2026.
O presidente russo Vladimir Putin aperta a mão do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante encontro na Biblioteca Presidencial Boris Yeltsin, em São Petersburgo, em 27 de abril de 2026.
Foto: AFP - DMITRY LOVETSKY / RFI

"As abordagens norte-americanas fizeram com que o ciclo anterior de negociações, apesar dos avanços, não alcançasse seus objetivos devido a exigências excessivas", denunciou Abbas Araghchi ao chegar a São Petersburgo, no noroeste da Rússia.

Desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, o mundo "compreendeu a verdadeira força do Irã" e "ficou evidente que a República Islâmica é um sistema estável, sólido e poderoso", afirmou ele ao presidente Putin, segundo a televisão estatal russa.

Quase três semanas após o cessar-fogo obtido ao fim de 40 dias de confrontos entre o Irã e Israel, aliado dos Estados Unidos, Moscou continua sendo um dos principais apoiadores da República Islâmica.

A Rússia fará "tudo" para que "a paz seja alcançada o mais rápido possível", garantiu o presidente Putin, citado pela mídia estatal russa. Ele afirmou que Moscou pretende "dar continuidade à relação estratégica" com Teerã, elogiando a "coragem" e o "heroísmo" do povo iraniano na luta por "sua independência".

Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump deve realizar ainda nesta segunda-feira uma reunião de emergência, segundo veículos da imprensa local.

De acordo com uma reportagem do site Axios, o Irã apresentou uma nova proposta com o objetivo de reabrir o estreito de Ormuz e encerrar a guerra, deixando para um momento posterior as negociações sobre a questão nuclear. A matéria foi reproduzida pela agência oficial Irna em seu canal no Telegram.

Segundo a agência iraniana Fars, Teerã enviou ao Paquistão "mensagens escritas" destinadas a Washington sobre suas "linhas vermelhas" relacionadas ao programa nuclear e ao estreito de Ormuz.

"Assustador"

Sem conseguir se reunir com representantes norte-americanos, Abbas Araghchi segue em uma ofensiva diplomática. Entre duas escalas no Paquistão, ele se encontrou no domingo, em Omã, com o sultão Haitham bin Tariq.

"Como os únicos Estados banhados por Ormuz, concentramos nossos esforços nos meios de garantir um trânsito seguro, no interesse de todos os nossos estimados vizinhos e do mundo inteiro", escreveu Araghchi na rede X, após o encontro.

Um projeto de lei iraniano prevê que o estratégico estreito seja colocado sob autoridade das Forças Armadas do Irã, informou Ebrahim Azizi, presidente da comissão parlamentar de segurança nacional.

De acordo com o texto, navios israelenses ficariam proibidos de atravessá-lo, e tarifas de passagem teriam de ser pagas em riais iranianos.

O diretor da agência marítima da ONU, Arsenio Dominguez, reafirmou nesta segunda-feira que "não existe qualquer base legal" para uma medida desse tipo "em estreitos utilizados para navegação internacional".

Antes da guerra, 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passavam pelo estreito, hoje submetido a um bloqueio duplo imposto pelas partes em conflito, com graves consequências para a economia global.

Em Teerã, "a situação se tornou assustadora", relata Farshad, empresário de 41 anos.

"As pessoas estão chocadas por não terem dinheiro para comprar nada ou mesmo para comer", disse ele. "Meus amigos estão pedindo empréstimos a quem podem apenas para conseguir sobreviver."

Uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre segurança marítima deve ocorrer na noite de segunda-feira, em Nova York.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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