Rei Charles chega aos EUA para viagem ofuscada por impasse com Irã e tiros em jantar
O rei Charles e a rainha Camilla, do Reino Unido, chegaram aos Estados Unidos na tarde desta segunda-feira para uma viagem de quatro dias, viagem que ganhou ainda mais destaque após os tiros disparados no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca e em meio a tensões entre os aliados próximos.
A visita de Estado -- de longe a mais importante e de maior repercussão do reinado de Charles -- marca o 250º aniversário da declaração de independência dos EUA do domínio britânico e é a primeira de um monarca britânico ao país em duas décadas.
Charles e Camilla aterrissaram na Base Conjunta Andrews, onde foram recebidos por autoridades diplomáticas, estaduais e federais, além de membros da embaixada britânica, e aceitaram flores de crianças de famílias de militares britânicos em serviço nos EUA.
O rei, vestindo um terno azul-marinho, e a rainha, usando um vestido rosa, ficaram na pista enquanto uma banda militar tocava os hinos nacionais britânico e norte-americano, antes de se dirigirem à Casa Branca para uma reunião privada com o autoproclamado fã da realeza, o presidente Donald Trump.
A programação da semana inclui um discurso no Congresso, um luxuoso jantar de Estado na Casa Branca e uma parada na cidade de Nova York.
Há muito planejada, a visita acabou envolvida em uma disputa política entre os dois países sobre a guerra dos EUA e Israel contra o Irã, o que levou Trump a expressar profundo descontentamento com o governo britânico por não apoiar a ofensiva.
Os tiros de sábado no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca em Washington tinham como alvos prováveis, segundo autoridades norte-americanas, o presidente e membros de sua administração, e lançaram mais sombras sobre a visita.
O Palácio de Buckingham disse que a viagem deve seguir conforme o previsto após discussões entre as autoridades britânicas e norte-americanas para determinar se o incidente iria afetar os planos da realeza.
Ao chegarem a Washington, o rei e a rainha tomam um chá particular com o presidente -- um admirador declarado da família real britânica que regularmente descreve Charles como um "grande homem" --, e sua esposa, a primeira-dama Melania Trump.
O rei de 77 anos, que ainda está em tratamento contra o câncer, deve discursar no Congresso -- apenas a segunda vez que um monarca britânico faz isso.
A realeza seguirá para Nova York, onde homenageará os mortos nos ataques de 11 de setembro de 2001, enquanto a rainha também marcará o centenário de histórias infantis com o Ursinho Pooh.
A viagem aos EUA termina na Virgínia, com o rei se encontrando com pessoas envolvidas em trabalhos de conservação, uma homenagem ao seu meio século de campanhas ambientais.
O governo do primeiro-ministro britânico Keir Starmer espera que a visita fortaleça o futuro da "relação especial" entre dois aliados, em seu ponto mais baixo desde a Crise de Suez em 1956.
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