Mulher diz ter desenvolvido tumor cerebral após usar contraceptivo injetável: 'Não há um dia em que eu não chore'
Britânica integra grupo de mulheres que processa a fabricante Pfizer após estudos apontarem possível associação com meningiomas
Uma britânica de 35 anos afirma ter desenvolvido um tumor cerebral inoperável após utilizar, por cerca de 15 anos, o contraceptivo injetável Depo-Provera, da Pfizer. Lauren Lewington, moradora de Bangor, no norte do País de Gales, convive com dores intensas e faz parte de um grupo de aproximadamente 100 mulheres que movem uma ação judicial contra a farmacêutica, alegando uma possível relação entre o medicamento e o surgimento de tumores cerebrais benignos.
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Lauren contou que começou a sentir dormência no rosto, dores no ouvido e fortes dores de cabeça em julho de 2022. Inicialmente, os sintomas foram tratados como uma possível enxaqueca, mas o quadro se agravou poucos meses depois.
"Não há um dia em que eu não chore", disse Lauren ao The Independent. "Passo as noites acordada, preocupada com o que o tumor pode fazer enquanto durmo."
Ela relembra que, durante o aniversário de nove anos do filho, sofreu uma crise de dor intensa. "Parecia que minha cabeça ia explodir dos ombros", relatou. Ela contou que caiu no chão de dor ao chegar ao pronto-socorro.
Após diversas idas ao hospital, uma tomografia realizada em dezembro de 2022 revelou a presença de um meningioma, tumor que se desenvolve nas membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Embora seja considerado benigno, exames indicaram que a lesão crescia cerca de um milímetro por mês.
Segundo Lauren, o tumor provocou danos nos nervos e desencadeou uma das dores mais severas conhecidas pela medicina, condição popularmente chamada de "dor do suicídio" devido à sua intensidade.
Quando passou pela primeira cirurgia, em janeiro de 2023, ela já não conseguia cuidar adequadamente dos dois filhos, de 12 e 9 anos, ambos autistas. O marido, Aaron Edwards, deixou o trabalho para assumir os cuidados da família.
Apesar de outras duas cirurgias, os médicos informaram que não seria possível retirar completamente o tumor por causa da proximidade com vasos sanguíneos importantes.
"Eles me disseram que não podiam retirar mais porque seria perigoso demais", afirmou. "É devastador saber que nunca ficarei completamente livre do tumor."
A possível relação entre o tumor e o anticoncepcional só foi levantada após a última cirurgia. Um exame mostrou que o tumor apresentava 80% de positividade para receptores de progesterona, e os médicos recomendaram a interrupção imediata do uso do Depo-Provera.
Em 2024, um estudo publicado no British Medical Journal apontou que mulheres que utilizaram o contraceptivo injetável por pelo menos um ano apresentaram um risco 5,6 vezes maior de desenvolver meningiomas. No mesmo ano, a bula do medicamento foi atualizada para incluir essa informação.
Lauren interrompeu o uso do anticoncepcional em janeiro de 2025. Desde então, exames indicam redução do tumor. Agora, ela afirma esperar que o medicamento deixe de ser comercializado. “Não quero que mais ninguém passe pelo que eu e minha família passamos", declarou.
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