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Moradores de Gaza deslocados pela guerra assistem à Copa do Mundo em meio às ruínas

16 jun 2026 - 11h00
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Fadi Al-Arawi, jogador de futebol da Primeira Divisão da ‌Faixa de Gaza, não consegue entrar em campo desde que os esportes profissionais foram suspensos com o início da guerra, há mais de dois anos. Como a maioria dos habitantes de Gaza, ele nem sequer tem mais uma casa onde possa assistir à Copa do Mundo pela TV.

Quando a partida de sábado entre Catar e Suíça estava prestes a começar, ele ⁠vestiu seu antigo uniforme profissional do Gaza Sports Club e as medalhas que conquistou em ‌competições internacionais.

Ele se debruçava na escuridão sobre um laptop com a tela tremeluzente, tentando captar um sinal de internet para assistir à partida com um grupo de amigos em uma ‌sala de uma escola transformada em abrigo para os ‌habitantes de Gaza deslocados pela campanha militar de Israel.

"Veja, essa é a internet, já ⁠está começando a cair e a partida nem começou ainda", disse Al-Arawi, de 38 anos, à Reuters em Khan Younis, enquanto drones israelenses zumbiam no céu. "Você consegue ouvir os drones? Podemos viver ou morrer, podemos ser bombardeados."

Grande parte de Gaza foi destruída e sua infraestrutura ficou gravemente danificada durante a campanha militar de dois anos de Israel no território, iniciada após os ‌ataques do Hamas em outubro de 2023.

Apesar de uma trégua firmada em outubro de 2025, Israel ‌continuou a realizar ataques em ⁠Gaza, e o Hamas, ⁠até o momento, rejeitou os apelos para depor as armas em troca da retirada das tropas israelenses.

"APESAR DE ⁠TUDO, VAMOS ASSISTIR AOS JOGOS"

Quase toda a população ‌de mais de 2 milhões ‌de palestinos vive em uma estreita faixa de território controlada pelo Hamas ao longo da costa, principalmente em barracas e prédios danificados.

Alaa Babli, que administra o Royal Café na cidade de Gaza, instalou duas linhas de energia alternativas e uma bateria de reserva ⁠para garantir que os jogos noturnos ainda possam ser exibidos quando os geradores a combustível forem desligados após a meia-noite.

Hani Abu Rizq, que veio assistir a uma partida sob bandeiras do Egito e de Marrocos penduradas na parede do café, disse que os habitantes de Gaza nunca estão livres do medo quando ‌estão em público.

"O café pode ser alvo de um ataque", disse ele. "Algo ao meu lado pode ser alvo e eu posso perder a vida... Mas, apesar de tudo o que ⁠estamos sofrendo, continuamos em frente e vamos assistir aos jogos."

A Federação Palestina de Futebol afirma que 1.000 atletas estão entre os 73.000 palestinos mortos por Israel na guerra desde 2023, desde crianças e amadores de todos os esportes até árbitros e profissionais.

Israel também destruiu cerca de 285 instalações esportivas — algumas completamente demolidas, outras bombardeadas. As forças israelenses transformaram estádios em campos de detenção, alguns dos quais ficaram famosos pelas denúncias de maus-tratos aos prisioneiros, o que Israel nega.

O emblemático Estádio Al-Yarmouk, na Cidade de Gaza, onde Al-Arawi e outros profissionais já jogaram diante de milhares de espectadores, é agora um acampamento para famílias deslocadas.

"Desde a guerra de extermínio israelense em 2023, o esporte palestino tem sido um dos principais alvos da máquina militar israelense", afirmou Mustafa Siam, da Federação Palestina de Futebol.

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