México faz 200 anos, mas nem tudo é festa no país asteca
O México celebra nesta quinta-feira os 200 anos de sua independência da Coroa Espanhola. No entanto, nem tudo é alegria no país. Os mexicanos enfrentam uma onda de violência ligada ao narcotráfico e sofrem com a corrupção e com problemas relacionados à imigração ilegal para os Estados Unidos. E nos últimos anos, o México ainda enfrentou gripe suína e uma crise econômica. Confira os principais problemas enfrentados pelo país recentemente.
Gripe suína
México foi o primeiro país a registrar casos da gripe suína, em março de 2009. Foi declarada emergência nacional, a primeira na história recente da nação. Aulas foram suspensas em todo do território nacional, assim como atividades publicas, para evitar o contágio. O comércio e o turismo foram os mais prejudicados. No total, os prejuízos com o vírus H1N1 passaram de US$ 2 bilhões. Foram mais de 1,2 mil mortes e cerca de 74 mil casos registrados no país.
Lei do Arizona
Os mexicanos se sentem profundamente discriminados pela lei 1070 do Estado americano do Arizona. A controvertida norma para o controle de imigração ilegal provocou uma rejeição sem precedentes dentro da comunidade mexicana residente no Estado. O poder das autoridades para verificar o status legal de uma pessoa com base em aspectos considerados racistas causou manifestações de grupos defensores dos direitos humanos, assim como o próprio governo do México.
Guerra ao tráfico
O governo de Felipe Calderón foi responsável por um duro golpe aos narcotraficantes mexicanos. Entre as prisões mais importantes estão a de Carlos Beltrán Leyva. Já Nacho Coronel, líder do Cartel de Sinaloa foi morto pelo exército em julho passado. Arturo Beltran Leyva, "El índio", "La Barbie" e Sergio Villareal, conhecido como "El Grande", assim como José Antonio Medina ("Rey de la Heroína"), Vicente Carrillo Leyva e Teodoro Simental ("El Teo"), também estão entre os detidos.
Situação com Andrés López Obrador
Nas eleições presidenciais de 2006, o presidente Felipe Calderón venceu o candidato Andrés López Obrador por apenas um ponto percentual. Desde então, López Obrador se tornou uma pedra no sapato para o atual governo. Com a ratificação da vitória de Calderón, López Obrador alegou fraude eleitoral. Durante três meses, seus seguidores instalaram um "acampamento permanente" na Avenida Pase de la Reforma, uma das principais vias da Cidade do México. De lá para cá, o clima político instável dificulta o avanço do programa de governo.
Corrupção
A corrupção é o problema número 1 do México. Segundo análises de especialistas, o custo da corrupção equivale a 10% do Produto Interno Bruto (PIB). O nepotismo e o suborno a funcionários públicos de níveis inferiores, políticos reconhecidos ou partidos políticos são os principais tipos de corrupção enfrentados pelo país. A luta contra os poderosos cartéis de drogas impulsionaram a corrupção, particularmente entre autoridades que sucumbem a propostas milionárias e os luxos oferecidos pela atividade ilegal.
Crise econômica
Com 210 milhões de desempregados e milhões de pessoas que trabalham para ganhar pouco, o mundo inteiro enfrenta a fase com o maior número de desemprego da história, segundo dados da Organização do TRabalho (OIT). O México não é exceção e entre as nações emergentes é a que mais foi afetada pela recessão econômica entre 2007 e 2009. Quase 1 milhão de empregos foram perdidos na crise e atualmente 55% da população com emprego está na economia informal.
Muro fronteiriço
Com o objetivo de conter a imigração ilegal aos Estados Unidos, em 1994 teve início a construção de um muro entre os dois territórios. Atualmente, a estrutura é formada por vários quilômetros de extensão entre Tijuana e San Diego. O muro inclui três barreiras, iluminação de alta intensidade, detectores de movimento, sensores eletrônicos e equipes de visão noturna conectadas à polícia fronteiriça americana, assim como caminhonetes e helicópteros armados. Outros trechos do muro existem nos Estados do Arizona, Novo México e Texas.
Desigualdade
México é a casa do homem mais rico do mundo. Mas metade dos 107 milhões de habitantes vivem na pobreza. O magnata Carlos Slim tem uma fortuna aproximada de US$ 53,5 milhões, enquanto 20 milhões dos seus compatriotas vivem com menos de US$ 3 por dia. "Fechar a brecha que separa estes dois Méxicos é um compromisso que devemos aos heróis do passado e aos mexicanos de hoje e amanhã", disse o presidente Felipe Calderón em discurso realizado no dia 1º de setembro.
Violência do tráfico
Desde o início do governo Felipe Calderón, o México registrou mais de 28 mil mortes violentas. A segurança jamais foi tão afetada pelo narcotráfico na história do país. As guerras entre cartéis pelo controle de territórios e por vingança, especialmente no norte do país, criaram um ambiente de insegurança que afeta a todos os mexicanos diariamente. Vários atos de celebração da independência foram cancelados em populações atingidas pela violência devido ao temor.
Com informações de agências internacionais e BBC Brasil