Meloni abre para reconhecer Palestina, mas impõe condições
Base aliada vai apresentar moção sobre o tema no Parlamento
A premiê da Itália, Giorgia Meloni, afirmou nesta terça-feira (23) que seu governo apresentará uma moção no Parlamento em defesa do reconhecimento do Estado da Palestina, mas apenas sob a condição de que o Hamas liberte todos os reféns israelenses e não tenha participação em um futuro governo.
O anúncio marca uma mudança de postura da primeira-ministra, que vinha defendendo que o reconhecimento do Estado palestino antes de ele existir de fato era uma medida "improdutiva".
"Eu, pessoalmente, continuo considerando que o reconhecimento da Palestina na ausência de um Estado que tenha os requisitos de soberania não resolve o problema nem produz resultados tangíveis", disse Meloni à margem da Assembleia-Geral da ONU, onde ela discursa nesta quarta-feira (24).
"Contudo, diz-se que reconhecer a Palestina pode ser uma ferramenta eficaz de pressão política, e isso é ótimo, eu entendo, mas também precisamos entender sobre quem [é feita a pressão]. Acho que a principal pressão política deve ser exercida sobre o Hamas, porque foi o Hamas que iniciou esta guerra e é o Hamas que está impedindo o fim da guerra ao se recusar a entregar os reféns", acrescentou.
Ainda assim, a premiê assegurou que sua base no Parlamento italiano "apresentará uma moção para dizer que o reconhecimento da Palestina deve ser subordinado a duas condições: a libertação dos reféns e, obviamente, a exclusão do Hamas de qualquer dinâmica de governo na Palestina".
Meloni acompanha discursos na Assembleia-Geral da ONU"Eu não sou contrária ao reconhecimento da Palestina, mas precisamos ter as prioridades certas. Acho que uma iniciativa do tipo pode receber também o apoio da oposição e das pessoas de bom senso", concluiu.
Diversos países ocidentais reconheceram a Palestina oficialmente nos últimos dias, como Canadá, França e Reino Unido, para pressionar Israel a interromper a guerra na Faixa de Gaza, mas o país judeu não deu sinal de recuo até o momento e vem realizando uma ofensiva por terra contra a Cidade de Gaza, maior centro urbano do enclave, forçando a evacuação de mais de 640 mil pessoas.
Na última segunda-feira (22), a Itália foi palco de uma greve geral e de manifestações multitudinárias para exigir que Meloni reconheça a Palestina, pleito também apresentado pela oposição de centro-esquerda.