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Livro analisa 'nova direita' na Europa e na América Latina sob influência de Trump

Obra de Donato Di Santo examina rede que busca influenciar 'nova ordem mundial'

4 jun 2026 - 16h09
(atualizado às 16h25)
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-  "A Internacional Reacionária. Da América Latina à Europa: as redes da nova direita" é o título do novo livro de Donato Di Santo, responsável pelas relações com a América Latina entre 1989 e 2006 no PCI, PDS/DS, subsecretário de Estado para Assuntos Exteriores no segundo governo Prodi, além de coordenador das Conferências Itália-América Latina e Caribe e, entre 2017 e 2019, secretário-geral da IILA.

Livro de Donato Di Santo descreve detalhes sobre novos grupos soberanistas
Livro de Donato Di Santo descreve detalhes sobre novos grupos soberanistas
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O livro, com prefácio de Giuseppe Provenzano e posfácio de Giovanni Salvi, descreve em detalhes como, sob o governo de Donald Trump, redes de novos grupos soberanistas de direita, tanto na Europa quanto na América Latina buscam influenciar a nova ordem mundial.

Na visão de Di Santo, o neoimperialismo trumpista, violando todo o direito internacional, remove ditadores sem sequer o pretexto da democracia, mas apenas para impor a hegemonia estadunidense ? a antiga Doutrina Monroe ? em seu "quintal" da América Latina.

A tese do livro é que uma espécie de "internacional reacionária" vem se estruturando entre a Europa (particularmente a Espanha) e a América Latina, em apoio ao que o autor chama de "autocrata de Mar-a-Lago".

Entre as figuras citadas estão Milei, da Argentina; Kast, do Chile; o clã Bolsonaro, do Brasil; Bukele, de El Salvador; Noboa, do Equador; Peña, do Paraguai; Uribe, da Colômbia; Asfura, de Honduras, entre outros.

Eles fazem isso explorando Gramsci e aproveitando ao máximo todas as possibilidades de manipulação das redes sociais. Essa dinâmica sem precedentes levanta questões existenciais não apenas para as forças progressistas, mas para a própria democracia.

"A direita europeia desde partidos moderados e conservadores como o Partido Popular (PP) espanhol ou o Força Itália, até os mais marcadamente reacionários como o Vox pós-franquista, o Irmãos da Itália pós-fascista, o partido de extrema-direita português Chega!, a Liga de Matteo Salvini, chegando ao PiS polonês e ao AfD alemão, desenvolveram com sucesso uma densa e extensa rede de laços com a América Latina", observa Di Santo.

Segundo ele, eles "fizeram isso de forma sistemática e precisa, conscientes da importância desse tipo de aliança política internacional dentro de uma estrutura de 'valores ocidentais' que, obviamente, adaptam às suas próprias necessidades e desejos." Di Santo é autor, entre outras obras, de "Itália e América Latina. História de uma ideia de política externa" (Donzelli, 2021) e, com Giancarlo Summa, de "Adeus Revolução: O Futuro da Nova Esquerda Latino-Americana" (Ediesse, 1994). Colabora com o CeSPI e com as Fundações Gramsci, Italianieuropei e Casa América.  

Ansa - Brasil
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