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Líder de Papua-Nova Guiné responde Biden e diz que país não merece ser rotulado de canibal

22 abr 2024 - 20h52
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O primeiro-ministro de Papua-Nova Guiné, James Marape, afirmou que seu país não merece ser rotulado de canibal e pediu que os Estados Unidos limpem vestígios da Segunda Guerra Mundial espalhados pelo Pacífico, após comentários do presidente Joe Biden, na semana passada, sobre o seu tio militar desaparecido. 

Biden "pareceu insinuar que seu tio foi comido por canibais após seu avião ser derrubado em Papua-Nova Guiné durante a Segunda Guerra Mundial", afirmou o gabinete de Marape, em um comunicado na noite de domingo. 

"Os comentários do presidente Biden podem ter sido um lapso de linguagem; no entanto, meu país não merece ser rotulado dessa maneira", disse Marape. 

Os comentários foram feitos em um momento de disputa por influência entre os Estados Unidos e a China na Papua-Nova Guiné e na região do Indo-Pacífico, que viu os EUA assinarem um acordo de cooperação de defesa com PNG no ano passado. O ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, se reuniu com Marape em Port Moresby no domingo. 

Em uma resposta por e-mail sobre os comentários de Marape, um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano disse que os EUA "respeitam o povo e a cultura de Papua-Nova Guiné e continuam comprometidos com a promoção de relações respeitosas entre nossas democracias". 

O departamento afirmou que Biden destacou a história do seu tio "ao defender a necessidade de honrar nosso compromisso sagrado de equipar aqueles que enviamos para a guerra".

O porta-voz se referiu aos "sacrifícios compartilhados" pelos EUA e pela PNG na Segunda Guerra Mundial e elogiou a "resiliência, coragem e compromisso com os ideais democráticos" de seu povo. Ele referiu-se ao país como "um líder regional com diversas culturas".

Marape pediu à Casa Branca que "procure limpar esses restos mortais da Segunda Guerra Mundial para que a verdade sobre militares desaparecidos como Ambrose Finnegan possa ser esclarecida".

Biden já citou anteriormente sua conexão pessoal com a história de guerra de Papua-Nova Guiné em visitas à Austrália, contando a história de Finnegan, seu tio que morreu em um acidente de avião em maio de 1944.

Biden levantou a possibilidade de Finnegan ter sido vítima de canibais após visitar um memorial para desaparecidos de guerra na Pensilvânia.

Os historiadores dizem que Papua-Nova Guiné foi crucial para os EUA atravessarem o Pacífico para libertar as Filipinas na Segunda Guerra Mundial, enquanto a Austrália afirma que a história mostrou a importância estratégica renovada de seu vizinho do norte.

Mas impacto da guerra continua sendo tema sensível entre os habitantes das ilhas do Pacífico.

Marape disse que sua nação foi "desnecessariamente arrastada para um conflito que não era de sua responsabilidade".

Papua-Nova Guiné e as Ilhas Salomão continuam repletas de restos humanos da guerra, destroços de aviões, navios e túneis, além de restos de bombas que continuam matando pessoas, disse ele.

A China tem um pacto de segurança com o vizinho da PNG, as Ilhas Salomão, e Wang Yi se reuniu com Marape para discutir a criação de laços econômicos mais estreitos.

Anthony Albanese, o primeiro-ministro da Austrália, aliada dos EUA, chega à PNG nesta semana para eventos que relembram a história da Segunda Guerra Mundial.

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