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Líbano precisa de US$ 1 bilhão para reconstrução enquanto ataques persistem no sul

Enquanto o governo libanês estima em cerca de um bilhão de dólares os recursos necessários para responder às necessidades humanitárias mais urgentes e iniciar a reconstrução das áreas destruídas, a violência segue no sul do país. Um novo ataque aéreo israelense matou nesta quarta-feira (29) um soldado do Exército libanês e seu irmão, segundo informou o comando militar, num contexto de ofensivas contínuas entre Israel e o Hezbollah, apesar do cessar-fogo em vigor desde meados de abril.

29 abr 2026 - 10h33
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Com Paul Khalifeh da RFI e agências

Fumaça sobe após explosões no sul do Líbano, perto da fronteira com Israel. Em 28 de abril de 2026.
Fumaça sobe após explosões no sul do Líbano, perto da fronteira com Israel. Em 28 de abril de 2026.
Foto: © REUTERS - Shir Torem / RFI

Segundo o Exército libanês, as duas vítimas foram atingidas enquanto retornavam de motocicleta para casa, após o soldado deixar o posto avançado onde estava baseado, na região de Bint Jbeil, no sul do país. No mesmo dia, a Agência Nacional de Notícias (NNA) relatou uma nova série de bombardeios israelenses contra várias cidades da região.

Na terça-feira (28), ataques aéreos israelenses já haviam matado pelo menos 11 pessoas, incluindo três socorristas da Defesa Civil. Dois soldados libaneses ficaram feridos durante uma operação de resgate. O primeiro-ministro Nawaf Salam classificou o ataque contra os socorristas como um "crime de guerra".

O presidente libanês, Josef Aoun, afirmou em comunicado que mantém contatos diplomáticos com o objetivo de consolidar o cessar-fogo e pôr fim às demolições de casas em aldeias do sul ocupadas por forças israelenses. Paralelamente aos bombardeios, o Exército israelense continua promovendo a destruição de residências em localidades fronteiriças incluídas em uma zona de segurança de dez quilômetros de profundidade, delimitada por uma "linha amarela" estabelecida unilateralmente por Israel.

Israel e Líbano realizaram duas rodadas de negociações indiretas em Washington, por meio de embaixadores, numa tentativa de pôr fim à guerra iniciada em 2 de março, quando o Hezbollah, movimento xiita pró-Irã, lançou ataques contra o território israelense. Israel respondeu com bombardeios de grande intensidade. Um cessar-fogo entrou em vigor em 17 de abril e foi prorrogado por três semanas.

De acordo com os termos do acordo, Israel se reserva o direito de adotar "todas as medidas necessárias" em legítima defesa contra o Hezbollah. O grupo, por sua vez, continua reivindicando ataques contra posições israelenses e rejeita qualquer negociação direta com Tel Aviv. "Vamos frustrar a tentativa do inimigo de estabelecer uma zona de segurança em nosso território", declarou nesta quarta-feira Hassan Fadlallah, deputado do Hezbollah.

Desde o início do cessar-fogo, ataques israelenses já mataram pelo menos 53 pessoas no Líbano, segundo dados do Ministério da Saúde e do Exército libanês compilados pela AFP.

Além do custo humano, a guerra provocou um deslocamento massivo da população. Em apenas dois meses de conflito, cerca de um em cada cinco libaneses foi forçado a sair de casa, aproximadamente 1,2 milhão de pessoas. O país, já profundamente fragilizado pela guerra anterior de 2024 e pela grave crise econômica iniciada em 2019, enfrenta enormes dificuldades para atender às necessidades básicas dos deslocados.

Emergência humanitária

Na ausência de apoio internacional substancial, o governo libanês afirma ter "batido em todas as portas" para tentar arrecadar cerca de um bilhão de dólares necessários para responder à emergência humanitária. As respostas de instituições financeiras internacionais e de países aliados, no entanto, permanecem limitadas. Até o momento, os recursos liberados ficam muito abaixo dos 720 milhões de dólares obtidos durante a guerra de 2024, enquanto as necessidades atuais são muito mais elevadas.

Um primeiro empréstimo de 200 milhões de dólares foi assinado com o Banco Mundial, com foco nas populações mais vulneráveis, mas as autoridades reconhecem que o valor é insuficiente. A guerra atual agrava uma crise estrutural já instalada há mais de seis anos.

Para lidar com a urgência, o governo estuda redirecionar empréstimos inicialmente destinados a projetos de infraestrutura. Diante da escassez de liquidez, também decidiu adiar a aplicação de aumentos salariais do funcionalismo público, aprovados em fevereiro, que teriam um custo anual estimado em 800 milhões de dólares. A medida é considerada inevitável, mas pode intensificar as tensões sociais.

Combinada às divisões políticas internas e aos efeitos imediatos do conflito armado, essa situação representa um risco crescente para a estabilidade do país, enquanto a reconstrução das áreas destruídas permanece incerta.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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