Líbano pede desarmamento do Hezbollah por meio do diálogo em negociações entre Irã e EUA
As negociações entre o Irã e os Estados Unidos, que começaram no final de semana, em 12 de abril, em Mascat, no Sultanato de Omã, concentram-se principalmente na questão nuclear iraniana, mas também na influência regional da República Islâmica e, consequentemente, no destino de seus representantes no Oriente Médio.
As negociações entre o Irã e os Estados Unidos, que começaram no final de semana, em 12 de abril, em Mascat, no Sultanato de Omã, concentram-se principalmente na questão nuclear iraniana, mas também na influência regional da República Islâmica e, consequentemente, no destino de seus representantes no Oriente Médio.
Com informações de AFP e Paul Khalifeh, correspondente da RFI no Líbano
A questão das armas do Hezbollah está no centro do debate político no Líbano desde o início das negociações entre Teerã e Washington. Uma coisa é certa: falar sobre as armas do Hezbollah não é mais um tabu. No passado, apenas os detratores do partido no Líbano, no Oriente Médio e no resto do mundo pediam o seu desarmamento.
Presidente do Líbano defende o desarmamento por meio do diálogo
A questão está sendo levantada por líderes oficiais, pela classe política libanesa e até mesmo pelo Hezbollah. De acordo com a mídia internacional e local, o partido xiita já abandonou cerca de 190 de suas 265 posições ao sul do rio Litani, de acordo com a Resolução 1701 da ONU. Os Estados Unidos estão intensificando sua pressão para o desarmamento total do Hezbollah, e não apenas ao sul do Litani.
Depois de declarar em seu discurso de posse em janeiro que trabalharia por um "monopólio estatal de armas", o presidente Joseph Aoun levantou a questão das armas do Hezbollah várias vezes nos últimos dias. Na semana passada, ele declarou que o tema seria examinado durante um "diálogo bilateral direto" entre a presidência e o Hezbollah.
No Catar, onde estava em uma visita oficial na terça-feira (15), Joseph Aoun disse que "2025 será o ano em que as armas estarão concentradas nas mãos do Estado".
Hezbollah enfraquecido pela guerra
Por sua vez, o Hezbollah está perfeitamente ciente de que o equilíbrio de poder no Líbano e na região mudou desde a guerra com Israel no outono (primavera no hemisfério sul) passado. Por isso, vem evitando provocações e adotou uma postura mais concisa. O Hezbollah, bastante enfraquecido pela guerra, afirma estar respeitando o acordo de cessar-fogo, enquanto o exército israelense continua seus ataques contra o movimento libanês.
O grupo xiita declarou recentemente que concordava em discutir o destino de seu arsenal como parte de um diálogo sobre uma "estratégia de defesa nacional" mencionada por Joseph Aoun em seu discurso de posse. Esse diálogo deve ser precedido de uma retirada israelense total do sul do Líbano e da libertação dos poucos combatentes do Hezbollah detidos em Israel.
O presidente Joseph Aoun entrou em detalhes pela primeira vez sobre o processo de desarmamento. Em uma entrevista ao canal do Catar al-Arabi al-Jadid, ele disse que "nenhuma unidade independente do Hezbollah seria incorporada ao exército libanês".
Somente "combatentes com determinadas qualificações e diplomas acadêmicos serão admitidos individualmente no exército após passarem por um concurso", acrescentou Joseph Aoun. Por sua vez, o Hezbollah está mantendo silêncio sobre o mecanismo de integração e nunca mencionou oficialmente seu desarmamento.
Após o início da guerra em Gaza, em 7 de outubro de 2023, desencadeada por um ataque do Hamas em solo israelense, o Hezbollah iniciou um ataque contra Israel, disparando foguetes contra o território israelense em apoio ao seu aliado palestino.
Em setembro de 2024, o conflito se transformou em guerra aberta, com violentos bombardeios israelenses no Líbano que, de acordo com as autoridades, mataram mais de 4 mil pessoas, e dizimaram a liderança do Hezbollah.
Na terça-feira, (15), uma pessoa foi morta em um novo ataque de Israel no sul do Líbano, segundo o Ministério da Saúde libanês, com o Exército israelense reivindicando a morte de um comandante do Hezbollah. Na ocasião, a ONU informou que 71 civis foram mortos pelo exército israelense no Líbano desde 27 de novembro, incluindo várias mulheres e crianças.