Kremlin vê 'pontos positivos' em plano dos EUA para paz na Ucrânia
O Kremlin afirmou na manhã desta quarta-feira (26) que há "alguns pontos positivos" no plano dos Estados Unidos para a paz na Ucrânia. Moscou confirmou a visita do emissário especial da Casa Branca, Steve Witkoff, que deve se reunir, na próxima semana, com o presidente russo, Vladimir Putin. Washington garante que faltam poucos detalhes para o fechamento do acordo para pôr fim à guerra, enquanto sofre críticas por possível envolvimento de russos na redação dos termos da proposta.
O Kremlin também considerou, nesta quarta, que os esforços europeus para desempenhar um papel na resolução do conflito na Ucrânia são "inúteis". "Os europeus estão tentando se intrometer em todas essas questões de uma maneira completamente inútil", disse o conselheiro diplomático Yuri Ushakov à televisão estatal russa.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reafirmou que a Europa apoiará a Ucrânia incansavelmente até que ela alcance uma paz "justa e duradoura".
"Quero deixar bem claro: a Europa estará ao lado da Ucrânia e a apoiará em cada passo do caminho", afirmou Von der Leyen para membros do Parlamento Europeu em Estrasburgo.
Trump comemora avanços
Diante da aceleração dos esforços diplomáticos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garante que "restam apenas alguns pontos de discordância" a serem resolvidos sobre o plano de paz para a Ucrânia.
Entre alguns pontos citados na proposta, revelada pelo Financial Times e a agência AFP, "a soberania da Ucrânia será confirmada"; "um acordo abrangente de não agressão será concluído entre a Rússia, a Ucrânia e a Europa", encerrando todas as ambiguidades dos últimos 30 anos. Kiev também "receberá garantias de segurança" e "a Rússia consagrará em lei sua política de não agressão em relação à Europa e à Ucrânia", entre outros pontos que tratam desde o tamanho das forças armadas ucranianas até sua relação com a Otan, a aliança militar ocidental.
Desde a divulgação do documento, Washington tem recebido críticas de que o texto, considerado bastante favorável a Moscou, teria sido originalmente escrito em russo e por alguém próximo do Kremlin, sem experiência diplomática.
O jornal britânico The Guardian alerta que uma parte do documento teria sido originalmente escrita em russo, e por um russo, conforme denunciou o jornalista Luke Harding. Parágrafos-chave do texto divulgado na sexta-feira (21) apresentam construções linguísticas que sugerem terem sido originalmente redigidos em russo, alertou o enviado do jornal britânico. Harding detectou expressões pouco naturais e erros típicos de tradução do russo para o inglês.
No avião a caminho da Flórida, onde passará o feriado de Ação de Graças, Trump afirmou que seu genro, Jared Kushner, mediador sem função oficial, "talvez" participe da reunião entre Putin e Witkoff em Moscou, na próxima semana.
Após conversas com os russos em Abu Dhabi, o secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, se reunirá com os ucranianos.
Ataques continuam no terreno
Enquanto as negociações diplomáticas continuam nos bastidores, a fim de encontrar uma solução para a guerra, a Rússia mantém a pressão com ataques aéreos diários contra a Ucrânia.
Os serviços de emergência ucranianos anunciaram que a cidade de Zaporíjia, no sul do país, sofreu um ataque russo "massivo" na última madrugada. Bombardeios atingiram cerca de 30 edifícios, ferindo 18 pessoas, de acordo com Ivan Fedorov, chefe da administração militar da região.
Otimismo moderado dos europeus
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que havia "finalmente uma chance de avançar de verdade rumo a uma paz duradoura", mas também lamentou a "falta de vontade russa de um cessar-fogo", após quase quatro anos de guerra.
As negociações estão centradas em um projeto de plano americano, cuja versão inicial, considerada muito favorável a Moscou, foi alterada após conversas no domingo (23) em Genebra, reunindo delegações americanas, ucranianas e europeias.
A versão mais recente é "significativamente melhor" para Kiev, confirmou à AFP, na terça-feira, uma fonte próxima ao assunto.
A segunda reunião da Coalizão dos Voluntários, grupo de cerca de 30 países aliados à Ucrânia, terminou sem resultados concretos na terça-feira.
Segundo o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, o caminho para um acordo de paz é "longo e difícil".
O presidente francês, Emmanuel Macron, fez um apelo para que a Rússia continue sendo pressionada.
Com AFP