Kadafi quase foi capturado em Trípoli, diz revista francesa
Comandos especiais das forças rebeldes na Líbia chegaram perto de capturar e derrubar Muammar Kadafi na quarta-feira quando realizaram uma operação em uma residência em Trípoli onde o líder parecia estar escondido, disse a revista Paris Match nesta quinta-feira.
Citando uma fonte de uma unidade que estaria coordenando entre serviços de inteligência de Estados árabes e os rebeldes líbios, a revista francesa disse em seu site que esses serviços acreditavam que Kadafi ainda estaria em algum lugar na capital líbia.
Kadafi havia desaparecido da modesta casa no centro de Trípoli quando os agentes chegaram às 10h (5h, horário de Brasília) na quarta-feira depois de receberem uma pista de uma fonte confiável. Segundo a revista, os agentes encontraram provas de que o líder havia passado ao menos uma noite no local, apesar de não se saber quando isso ocorreu.
A França assumiu um papel de liderança militar das forças da Otan que apoiam os rebeldes na Líbia. O ministro da Defesa britânico disse nesta quinta-feira que a Otan estava ajudando com inteligência e reconhecimento na busca por Kadafi e seus filhos. Muitos analistas acreditam que a França, a Grã-Bretanha e os aliados árabes, particularmente o Catar, podem ter algumas forças especiais em Trípoli trabalhando com os comandos líbios.
Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.
A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque.