Kadafi: 1 ano após morte, saiba o que aconteceu com sua família
20 out2012 - 12h45
(atualizado às 13h17)
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Exatamente um ano depois da captura e violenta morte do líder líbio Muammar Kadafi, o que aconteceu com seus demais familiares? Três dos seus filhos morreram na revolta líbia, incluindo o ex-assessor nacional de segurança, Mutassim Kadafi, que foi capturado no mesmo dia em que seu pai.
Em 20 de outubro de 2011, após meses de guerra que varriam a Líbia, o líder deposto Muammar Kadafi é morto durante a captura a cidade de Sirte pelos insurgentes. Três dias depois, o Conselho Nacional de Transição, principal órgão dos rebeldes, anunciou a libertação oficial do país, abrindo um longo caminho de reconstrução da política, da justiça e da sociedade
Foto: AFP
Os que sobreviveram tiveram sortes muito distintas desde o decisivo dia 20 de outubro de 2011. A viúva do ex-líder líbio exilou-se na Argélia. Já o filho que era tido como seu sucessor, Saif al-Islam, está aguardando julgamento em uma prisão líbia. Confira abaixo o que aconteceu com cada um de seus parentes mais próximos.
Safiya Farkash, mãe de sete dos oito filhos biológicos de Kadafi, passou o último ano na Argélia, depois de pedir exílio por "razões humanitárias". Junto com sua filha Aisha e Muhammad - filho de Kadafi com sua primeira esposa - ela chegou à Argélia no dia 29 de agosto do ano passado, quando rebeldes tomavam o controle de Trípoli. Ela está morando em uma residência altamente fortificada na cidade de Staoueli, próxima à capital. Ela tem ordens rígidas do governo argelino de não se pronunciar publicamente sobre assuntos líbios.
Muhammad Kadafi (filho)
Se a revolta tivesse terminado de outra forma, Muhammad provavelmente teria passado os últimos meses em Londres, acompanhando os Jogos Olímpicos de 2012, já que ele era o diretor do comitê olímpico líbio. No entanto, o filho mais velho de Kadafi passou mais de um ano na Argélia, depois de fugir dos insurgentes que tomaram Trípoli.
Filho de Fathia, a primeira esposa do Coronel Kadafi, ele também era diretor da empresa de telefones celulares do país e da rede de comunicações por satélite. Ele não foi indiciado pelo Tribunal Penal Internacional e não é considerado uma figura de expressão no movimento que tentou derrotar os insurgentes.
Saif al-Islam Kadafi (filho)
Antes tido como sucessor de Kadafi, Saif al-Islam foi capturado um mês depois da morte de seu pai, e desde então é mantido como prisioneiro na cidade de Zintan, em uma região montanhosa do país.
Formado pela London School of Economics, ele é foco principal de uma batalha jurídica entre o Tribunal Penal Internacional - que o acusa de crimes contra a humanidade - e a Justiça líbia - que quer julgá-lo dentro do país. O poder judiciário líbio parece ter vencido essa batalha, mas a data do julgamento ainda não foi marcada. Foi noticiado que uma prisão moderna - com quadra de basquete e cozinha especial - foi montada para Saif al-Islam em Trípoli.
Saadi Kadafi (filho)
Saadi Kaadafi, ex-diretor da Federação Líbia de Futebol e das Forças Especiais da Líbia, recebeu asilo político no Niger, onde está morando em uma residência do governo em Niamey. Saadi fugiu da Líbia pelo deserto do Saara. Ele ficou famoso por seu estilo de vida de playboy e por sua curta carreira de jogador, atuando na Série A italiana. No entanto, ele foi pego em um caso de doping.
O Niger recusou os pedidos feitos pela Líbia de extradição de Saadi. O ministro da Justiça do país disse que Saadi "certamente seria condenado à morte" na Líbia. Em setembro, a Interpol fez um "alerta vermelho" que obrigaria países que apoiam a polícia internacional a prender Saadi. No ano passado, o México disse ter descoberto um plano para fazer com que Saadi viajasse ao país usando um nome falso.
Hannibal Kadafi (filho)
Hannibal é o quinto filho de Muammar Kadafi com Safiya. Ele teria fugido junto com a mãe para a Argélia, no ano passado. Antes disso, ele combateu os rebeldes na cidade de Gharyan, ao sul da capital. Ex-marinheiro, Hannibal era o principal consultor do comitê de administração de uma empresa estatal de transporte marítimo.
Ele ficou famoso no país por sua vida de playboy, e por diversos escândalos. Em Paris, ele foi preso por dirigir bêbado um Porsche na Champs-Elysees. Ele também provocou um incidente diplomático com a Suíça, depois de agredir dois funcionários de um hotel no país. Como resposta, dois empresários suíços foram presos por Kadafi na Líbia, em represália.
Aisha Kadafi (filha)
Aisha Kadafi, a única filha biológica de Muammar, recebeu asilo político na Argélia, junto com sua mãe e irmão. Três dias depois de chegar ao país, ela deu à luz uma filha, a quem deu o nome de Safiya, em homenagem à sua mãe.
Apesar de viver sob constante observação de forças de segurança argelinas, que querem evitar que ela faça declarações políticas, Aisha tem convocado os líbios a se rebelarem contra o novo governo, através de um canal de televisão sírio. Ela também contratou um advogado israelense, Nick Kaufman, para pedir que o Tribunal Penal Internacional investigue a morte de seu pai.
A imprensa líbia noticiou que em uma partida recente de futebol, Aisha torceu pela Argélia contra a Líbia, dizendo que a seleção de seu país natal "não a representa".
Hanaa Kadafi (filha adotiva)
Kadafi manteve por anos a versão de que sua filha adotiva Hanaa havia sido morta por um ataque aéreo em 1986, quando tinha apenas 18 meses. No entanto, desde a revolução do ano passado, há cada vez mais indícios de que Hanaa está viva. Mas pouco se sabe sobre sua situação atual. Imagens de arquivo mostravam Hanaa brincando com o pai e irmãos anos depois do ataque aéreo.
Documentos encontrados na residência de Kadafi, em Bab al-Aziziyah, incluem histórico médico e até mesmo um certificado do Consulado Britânico no nome de Hanaa Muammar Kadafi. Fontes anônimas disseram à imprensa líbia que Hanaa é formada em medicina e trabalhou no Centro Médico de Trípoli por vários anos.
No dia 31 de outubro, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) encerra a polêmica intervenção na Líbia, determinante para a vitória dos insurgentes, dizimados pelas forças de Kadafi. Posteriormente, em março de 2012, um relatório da ONU indicou que ao menos 60 civis morreram durante os bombardeios intervencionistas. Na foto, o chefe Otan. Anders Fogh Rasmussen, fala à imprensa com o presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, em Trípoli
Foto: AFP
Em novembro de 2011, o Conselho Nacional de Transição (CNT) anuncia a formação do novo governo provisório da Líbia, liderado pelo premiê Abduraheem el-Keib. O governo provisório é mantido até as eleições legislativas, realizadas em julho de 2012 após adiamento de um mês
Foto: AFP
No dia 7 de julho, após 40 anos de governo forte e ininterrupto de Kadafi, os líbios vão às urnas nas primeiras eleições gerais democráticas modernas da história do país, para eleger um Congresso Nacional Líbio, a substituir o CNT, abrindo caminho para a formação de uma assembleia para redigir uma Constituição para o país, inexistente durante a era Kadafi. As eleições são aprovadas por observadores internacionais
Foto: AFP
As eleições são vencidas pelos liberais líbios, liderados pelo ex-premiê Mahmoud Jibril, na Aliança Força Nacional, que ganham 40 assentos. Eles são seguidos pelos islâmicos, que obtêm 17 assentos
Foto: AFP
Em agosto, os congressistas líbios elegem como presidente Mohammed Magarief, da Frente Nacional. O caminho político, todavia, é tortuoso. Em outubro, protestos levam à formação de um novo gabinete político, colocando em xeque o andamento das reformas políticas frente às reivindicações de um país ainda um tanto dividido pela guerra e pela era Kadafi
Foto: AFP
Um dos principais desafios pós-Kadafi são as vertentes do separatismo líbio. É o caso da região da Cirenaica, onde se gestam movimentos federalistas de maior autonomia, como o decreto emitido em março de 2012. O governo reage prometendo reconhecer as reivindicações, mas afirma que "a Líbia é e será uma unidade indivisível, mesmo que seja pela força". Em julho, federalistas fecham temporariamente o porto petroleiro de Ras Lanouf
Foto: AFP
A tensão do separatismo se expressa também nos conflitos pós-Kadafi. Além de atentados contra o governo, como a tentativa de assassinato do premiê Al-Kib em novembro de 2011 em Trípoli, confrontos tribais e entre milícias assolam o país durante o período da reconstrução política. Em fevereiro de 2012, combates deixam 100 mortos em 10 dias. Em março, 70 morrem em conflitos em Sabha, no sul do país. Em junho, uma semana de confrontos no oeste do país deixam mais de 100 vítimas fatas
Foto: AFP
Em 20 de outubro de 2011, após meses de guerra que varriam a Líbia, o líder deposto Muammar Kadafi é morto durante a captura a cidade de Sirte pelos insurgentes. Três dias depois, o Conselho Nacional de Transição, principal órgão dos rebeldes, anunciou a libertação oficial do país, abrindo um longo caminho de reconstrução da política, da justiça e da sociedade
Foto: AFP
O conflito interno atinge também os representantes das forças internacionais, como mostram os ataques contra representantes diplomáticos. Foram pelo menos três ações ou ataques contra as embaixadas ou comitivas oficiais da Rússia (fevereiro de 2012), dos EUA e do Reino Unido (ambos em junho). O episódio mais marcante ocorreu em 12 de setembro, quando um protesto em Benghazi culminou com um ataque à embaixada americana, matando o embaixador Christopher Stevens
Foto: Reuters
Estes conflitos encontram eco na situação ainda precária dos direitos humanos na nova Líbia. Desde o fim da era Kadafi, inúmeros relatórios de organizações internacionais comprovam este desafio. Um dos primeiros foi publicado em novembro de 2011, pela ONU, segundo o qual sete mil presos ainda se encontravam sob poder de brigadas revolucionárias: "falta muito a fazer para regularizar os processos, evitar os abusos e conseguir a libertação de pessoas, cujas prisões não devem ser prologadas"
Foto: AFP
Em 2012, novos relatórios mantiveram as denúncias de precariedade das prisões e do tratamento desleal mantido contra prisioneiros. Em fevereiro, a Anistia Internacional afirma que "as milícias ameaçam as esperanças de uma nova Líbia". Em julho, um comunicado da Human Rights Watch denuncia que o CNT "não conseguiu assumir a responsabilidade pelas cerca de 5 mil pessoas detidas de forma arbitrária por grupos armados, algumas das quais foram torturadas severamente após a expiração do przo"
Foto: AFP
Neste ambiente de turbulências, a Líbia tenta também encontrar o caminho da sua própria justiça. Em fevereiro, teve início em Benghazi o primeiro julgamento dos partidários de Kadafi. Em junho, o último premiê da ditadura, Mahmoudi Baghdadi, foi presos e levado a julgamento no início de julho. O mesmo ocorre com Abdullah al-Senusi (foto), ex-chefe dos serviços secretos, que foi extraditado pela Mauritânia, onde buscou refúgio depois da guerra
Foto: AP
Um dos maiores impasses jurídicos da nova Líbia é o julgamento de Saif al-Islam, filho considerado o herdeiro político de Muammar Kadafi. Após proeminente papel durante a guerra, Al-Islam desapareceu e foi capturado em uma emboscada no dia 19 de novembro de 2011 em Zintan, no sul da Líbia. A foto mostra o filho de Kadafi sob poder dos rebeldes
Foto: Movimento 17 de fevereiro / AFP
Os líbios consideram que Al-Islam deve ser julgado em solo africano e garantem que dispõem dos instrumentos jurídicos para tanto. O Tribunal Penal Internacional, todavia, receia que o herdeiro de Kadafi não seja submetido ao processo devido na Líbia, razão pela qual Trípoli e Haia batalham atualmente pelo direito de julgá-lo. O TPI faz questão de julgá-lo por sua suposta cumplicidade dos crimes cometidos durante a era Kadafi
Foto: AFP
E um ano depois de sua morte restam dúvidas sobre o desfecho do próprio Kadafi. O governo líbio afirma que o ex-líder morreu em um tiroteio não intencional ocorrido logo após sua captura, mas observadores internacionais questionam a versão oficial. Esta é a denúncia, por exemplo, do relatório "Morte de um ditador: Vingança sangrenta em Sirte" da Human Rights Watch, de 16 de outubro. Segundo o texto, Kadafi teria sido executado
Foto: AFP
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