Justiça sul-coreana endurece contra ex-presidente, acusado de tentar subverter ordem constitucional
O ex-presidente da Coreia do Sul Yoon Suk-yeol foi preso pela segunda vez. Um tribunal sul-coreano emitiu, nesta quinta-feira (10), um novo mandado de prisão contra ele, no contexto da investigação sobre sua tentativa de impor a lei marcial em 3 de dezembro de 2024. A prisão foi considerada necessária para evitar a destruição de provas.
O ex-presidente da Coreia do Sul Yoon Suk-yeol foi preso pela segunda vez. Um tribunal sul-coreano emitiu, nesta quinta-feira (10), um novo mandado de prisão contra ele, no contexto da investigação sobre sua tentativa de impor a lei marcial em 3 de dezembro de 2024. A prisão foi considerada necessária para evitar a destruição de provas.
Com informações de Célio Fioretti, correspondente da RFI em Seul
Yoon Suk-yeol, que foi deposto em 14 de dezembro, já havia sido preso em janeiro, tornando-se o primeiro presidente sul-coreano em exercício a ser detido. Na época, ele foi libertado por questões processuais, após o cancelamento de seu mandado de prisão. Ele foi formalmente deposto em 3 de abril de 2025, por impor a lei marcial no país e mobilizar o exército em torno do Parlamento.
Agora, o juiz Nam Se-jin, do Tribunal Distrital Central de Seul, emitiu o mandado de prisão por considerar que o ex-presidente representa um risco de ocultação de provas. Ele foi transferido para o centro de detenção de Seul, em Uiwang, ao sul da capital, e colocado em cela solitária, onde pode permanecer por até 20 dias, enquanto os promotores preparam uma acusação formal. Caso seja indiciado, a prisão pode ser estendida por até seis meses.
As acusações contra Yoon Suk-yeol
Yoon é acusado de tentar apagar registros telefônicos relacionados à decisão de decretar a lei marcial. Ele justificou a medida como uma forma de "proteger o país das forças comunistas norte-coreanas" e "eliminar elementos hostis ao Estado", devido ao impasse parlamentar sobre a votação do orçamento.
A decisão foi apoiada por líderes religiosos extremistas e influenciadores da internet de extrema direita, mas gerou uma crise política sem precedentes na Coreia do Sul. As atividades políticas foram proibidas e o Exército assumiu o controle do Parlamento. Cerca de 190 deputados conseguiram entrar no plenário, enquanto, do lado de fora, milhares de pessoas exigiam a saída do presidente.
Em sua audiência na quarta-feira (9), Yoon Suk-yeol disse que agora estava lutando "sozinho". "O promotor especial está atacando até mesmo os meus advogados. Um a um, eles estão se retirando, e em breve terei que lutar sozinho", disse ele, de acordo com a imprensa local.
Sua equipe jurídica criticou o novo pedido de prisão, alegando que ele já havia sido destituído, não representava mais ameaça e "não tinha mais nenhuma autoridade".
Paralelamente, Yoon continua sendo julgado por insurreição contra o Estado, um processo longo e delicado no qual ele continua a negar todas as acusações. Se condenado, Yoon Suk-yeol poderá pegar prisão perpétua ou até mesmo a pena de morte.