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Julgamento nos EUA acusa Exército venezuelano de vínculos com tráfico de drogas

27 nov 2023 - 08h52
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Um julgamento de um homem acusado de enviar dezenas de milhares de quilos de cocaína para os Estados Unidos, que começa nesta segunda-feira, terá como foco as suspeitas de ligações entre traficantes de drogas e líderes das Forças Armadas da Venezuela.

Os promotores federais de Manhattan acusam o venezuelano Carlos Orense de pagar milhões de dólares em subornos a oficiais militares de alto escalão para proteger a cocaína que ele importou da vizinha Colômbia para ser enviada aos EUA.

Uma testemunha também deve testemunhar que um ex-diretor executivo da refinaria norte-americana Citgo Petroleum -- que pertence à empresa estatal Petróleos de Venezuela -- ajudou Orense a lavar dinheiro em meados dos anos 2000, de acordo com registros do tribunal e um advogado envolvido em um caso paralelo.

Orense se declarou inocente de três acusações de conspiração para importação de narcóticos e posse criminosa de armas.

A Citgo não quis comentar. O Ministério da Informação da Venezuela não respondeu a um pedido de comentário.

As acusações de cumplicidade oficial venezuelana no comércio de drogas há muito tempo são uma fonte de tensão no relacionamento entre Washington e o país sul-americano. O próprio presidente Nicolás Maduro foi indiciado em 2020 por acusações nos EUA de "narcoterrorismo", que ele chamou de falsas e racistas.

Dois sobrinhos da esposa de Maduro, Cilia Flores, foram condenados em 2016 por um júri de Manhattan por conspirar para importar cocaína para os EUA. Eles receberam uma pena de 18 anos de prisão, mas foram libertados no ano passado como parte de um acordo de troca de prisioneiros com Caracas para libertar sete norte-americanos.

O julgamento de Orense deve incluir depoimentos detalhados sobre como os traficantes influenciaram os militares da Venezuela durante os mandatos de Maduro e de seu antecessor e mentor, Hugo Chávez.

"As cargas de narcóticos do réu entravam, saíam e circulavam pela Venezuela com impunidade devido ao apoio das autoridades venezuelanas e dos militares venezuelanos", escreveram os promotores em um processo judicial de 4 de novembro.

Os advogados de Orense disseram que o caso se baseia em "rumores" e que não há provas diretas de que ele tenha subornado autoridades.

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