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Johnson pode dar passaporte a quase 3 milhões de cidadãos de Hong Kong

Em artigo, premier pede que China revogue lei de segurança

3 jun 2020
10h59
atualizado às 11h23
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O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, publicou um longo artigo no jornal "The Times" em que pede que a China desista de aplicar a lei de segurança nacional em Hong Kong e que, caso isso não seja feito, seu país oferecerá cidadania a quase três milhões de pessoas.

Boris Johnson publicou um longo artigo sobre a crise causada pela decisão da China de impor uma lei de segurança nacional em Hong Kong
Boris Johnson publicou um longo artigo sobre a crise causada pela decisão da China de impor uma lei de segurança nacional em Hong Kong
Foto: EPA / Ansa - Brasil

Explicando em detalhes, Johnson ressaltou que há cerca de 350 mil cidadãos de Hong Kong com o passaporte "British National (Overseas)" e que outros 2,5 milhões são elegíveis para obter o documento. Atualmente, com o BNO, é possível ficar no Reino Unido sem a necessidade de visto por até seis meses.

"Se a China impuser sua lei de segurança nacional, o governo britânico mudará nossas regras de imigração e permitirá que qualquer um que possua um desses passaportes de Hong Kong venha para o Reino Unido por um período renovável de 12 meses e terá futuros direitos imigratórios, incluindo o direito de trabalhar, o que os coloca em rota de cidadania. Isso seria uma das maiores mudanças no sistema de vistos de nossa história", escreveu o premier nesta quarta-feira (03).

Para justificar a medida, o primeiro-ministro fez uma longa explicação sobre as liberdades e as peculiaridades dos moradores de Hong Kong, e sobre o poder econômico que o país representa para a região e para o mundo. E ressaltou a importância de um acordo firmado em 1997, que trouxe o conceito de "um país, dois sistemas" - sendo que isso deve ser mantido pelos chineses.

"Se a China continuar [com a implantação da lei], isso entraria em conflito direto com as obrigações assumidas na assinatura da declaração, um tratado juridicamente vinculativo registrado com as Nações Unidas. O Reino Unido não terá outra escolha senão defender nossos profundos laços de história e amizade com o povo de Hong Kong", escreveu ainda.

"Eu espero que isso não aconteça. Eu ainda espero que a China lembre que suas responsabilidades andam de mãos dadas com a força e com a liderança. [...] O Reino Unido não quer nada mais para Hong Kong do que o 'um país, dois sistemas'. Eu espero que a China queira o mesmo. Vamos trabalhar juntos para fazer isso acontecer", finalizou Johnson.

Essa é a segunda vez que o governo britânico fala em facilitar a cidadania de pessoas de Hong Kong que possuem o BNO. No fim de maio, o ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab, informou que o governo estava estudando ajudar os cerca de 350 mil cidadãos que possuem o documento.

Após a publicação do artigo, o governo chinês pediu que os britânicos parem de tentar interferir sobre a questão e que esses contínuos ataques podem "voltar-se contra eles". O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, "aconselhou" a "Grã-Bretanha a afastar-se da beira do precipício, a abandonar a mentalidade da Guerra Fria e colonial, e reconhecer e respeitar o fato de que Hong Kong foi restituída".

- Lei aprovada: A polêmica lei de segurança nacional, aprovada pelo Congresso do Povo chinês na última semana e que está em formulação final por Pequim, insere sete novos artigos na pequena Constituição de Hong Kong.

O mais polêmico deles é o artigo quatro, que trata sobre os casos de "traição, secessão, sedição e subversão", atos terroristas e interferência de governos internacionais. Com isso, a legislação autoriza o uso da repressão contra manifestantes pró-democracia e que pedem por mais liberdades no território.

A medida ainda autoriza que Pequim instale agências e escritórios governamentais com autonomia própria, sem ter que passar pelo poder local. A legislação foi aprovada após meses de protestos em Hong Kong, que pediam uma maior liberdade no local, e foi vista como uma forma de ampliar o controle da China por todo o território.

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Ansa - Brasil   
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