Itália reúne Conselho Supremo de Defesa para discutir guerra no Irã
Organismo ressaltou que Roma 'não tomará parte' no conflito
O presidente da Itália, Sergio Mattarella, reuniu nesta sexta-feira (13), em Roma, o Conselho Supremo de Defesa para discutir os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio, que também atinge outros países da região.
Além do chefe de Estado, o encontro teve as presenças da premiê Giorgia Meloni, dos ministros Antonio Tajani (Relações Exteriores), Guido Crosetto (Defesa), Matteo Piantedosi (Interior), Giancarlo Giorgetti (Economia) e Adolfo Urso (Empresas) e de lideranças militares, como o chefe do Estado-Maior, Luciano Portolano.
Em comunicado divulgado após a reunião, o conselho expressou "grande preocupação" com os "cenários de crise" deflagrados na esteira da "ação militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã".
"No atual contexto de instabilidade ? aberto de forma irresponsável pela agressão da Rússia contra a Ucrânia ?, com a progressiva ruptura da coexistência pacífica internacional, o enfraquecimento das instituições multilaterais e as numerosas violações do direito internacional, a Itália está empenhada em buscar e apoiar todos os esforços para trazer a negociação e a diplomacia de volta ao primeiro plano", diz o documento.
O texto define como "inaceitável" o massacre que deixou mais de 160 mortos em uma escola para meninas em Minab, no sul do Irã, porém sem apontar culpados ? múltiplas reportagens da imprensa internacional apontam os EUA como responsáveis pelo bombardeio ?, e alerta que Israel deve "se abster de reações desproporcionais às inaceitáveis ações do Hezbollah".
"Como sempre, o preço mais alto é pago pela população civil, com inúmeras vítimas e centenas de milhares de cidadãos evacuados do sul do Líbano e outros tantos das áreas xiitas de Beirute", ressalta o comunicado.
Por outro lado, o Conselho Supremo de Defesa condenou as "desumanas repressões" do regime no Irã contra a população e mencionou as "razões de segurança ligadas ao risco de realização de armas nucleares" por parte de Teerã.
Além disso, acusou o Irã de "expandir o conflito", arriscando "abrir espaço para formas de guerra híbrida e gravíssimas iniciativas de organizações terroristas".
O órgão presidido por Mattarella também expressou que bases militares americanas na Itália devem ser usadas "no respeito ao quadro jurídico definido pelos acordos internacionais vigentes", que incluem "atividades de treinamento e de suporte técnico-logístico".
Qualquer utilização que esteja fora do âmbito dos pactos em vigor "será submetida ao Parlamento". "A Itália não participa e não tomará parte na guerra, como reiterado pela presidente do Conselho dos Ministros [Meloni] no Parlamento", diz o comunicado do conselho.