Itália reforça papel estratégico do Mar Vermelho em meio às tensões
Vice-premiê negou que país está em guerra e anunciou novas discussões com os EUA
O chanceler italiano Antonio Tajani defendeu o reforço da missão defensiva Aspides no Mar Vermelho, rota vital para o comércio da Itália, cobrando mais apoio internacional. Em Nova York, Tajani discutirá o tema na ONU e assinará um acordo com os EUA sobre minerais críticos para conter a influência de preços da China. Reafirmando a aliança com Washington, o ministro também sustentou que a autonomia europeia depende do aumento de investimentos em defesa e segurança.
O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, declarou neste domingo (20) que seu país não está em guerra, e a missão europeia Aspides, no Mar Vermelho, deve manter seu caráter defensivo e ser reforçada.
A declaração foi dada pelo chanceler italiano em entrevista ao jornal "Corriere della Sera" após um ataque que atingiu um navio da Marinha italiana.
Segundo Tajani, a segurança do Mar Vermelho é estratégica para a economia italiana: cerca de 40% do tráfego marítimo comercial da Itália e 60% das mercadorias exportadas para a Ásia passam pela região.
O ministro observou que Roma vem defendendo há meses o fortalecimento da operação Aspides e buscando ampliar a participação de outros países. O tema deverá ser novamente levado por Tajani a Nova York, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas.
"Ou enviam mais unidades, ou devem arcar com parte dos custos financeiros. A Aspides deve, sem dúvida, continuar e ser reforçada", afirmou.
Em Nova York, Tajani terá um encontro com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio para discutir questões internacionais. Além disso, os dois deverão assinar um acordo sobre matérias-primas e minerais críticos.
O objetivo, segundo Tajani, é reduzir a dependência das tendências de preços determinadas pela China. "A China não deve mais ditar as tendências de preços", declarou.
Ao comentar as relações entre Roma e Washington, o chanceler italiano afirmou que o diálogo com os Estados Unidos permanece contínuo e estruturado, inclusive quando há divergências.
"Onde concordamos com os EUA, o diálogo é contínuo e estruturado. Quando há questões em que discordamos, deixamos isso claro. Mas a América continua sendo nossa principal aliada", disse.
Por fim, o vice-premiê da Itália relacionou a autonomia europeia ao aumento dos investimentos em defesa e segurança.
"Se você quer ser um parceiro confiável, precisa ser autônomo", afirmou, ao questionar, segundo sua avaliação, a combinação entre a defesa de maior independência em relação aos Estados Unidos e a oposição a maiores gastos militares.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.