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Itália nega mudança de posição e explica revogação de licença de projeto brasileiro

Construção de glamping de luxo em Cala Finanza foi alvo de pressão de ambientalistas

3 jul 2026 - 12h09
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O governo italiano afirmou nesta sexta-feira (3) que não houve qualquer mudança de posição por parte do governo em relação ao projeto de construção de um empreendimento da empresa Tavolara Bay Srl, pertencente ao grupo brasileiro JHSF Participações, controlador da rede hoteleira de luxo Fasano, em Cala Finanza, na costa nordeste da ilha da Sardenha.

    A declaração foi dada pelo subsecretário da Presidência do Conselho de Ministros da Itália responsável pela pasta do Sul, Luigi Sbarra, um dia após a autorização concedida para a implementação de um "glamping" de luxo ter sido revogada.

    Segundo Sbarra, todas as decisões relativas ao caso foram tomadas com base em solicitações das autoridades locais e no âmbito do procedimento administrativo que levou à emissão da "Autorização Única ZEE nº 74 de 2026".

    Ele explicou que a autorização previa a reforma de uma estrutura já existente, a chamada Villa Joy, além da instalação de sete pequenas estruturas removíveis, sem "qualquer aumento de volume construído".

    "Não houve nenhuma 'mudança de posição' por parte do governo; todas as decisões foram tomadas exclusivamente com base em solicitações das autoridades locais", declarou o subsecretário.

    Sbarra detalhou ainda que o processo foi conduzido pela Força-Tarefa da Zona Econômica Especial (ZEE) ? atualmente Departamento para o Sul ? ao longo de vários meses, com participação de diversos órgãos administrativos e quatro sessões da chamada "conferência de serviços", mecanismo de coordenação entre instituições públicas.

    De acordo com o subsecretário, a autorização foi emitida com base em atos oficiais aprovados pelo município de Loiri Porto San Paolo, incluindo a Resolução nº 50 de novembro de 2025, que havia aprovado uma alteração no planejamento urbano como condição legal para o avanço do projeto.

    O comunicado acrescenta que a Câmara Municipal reconheceu inicialmente o projeto como de interesse regional, considerando-o compatível com a preservação paisagística e o desenvolvimento de uma forma de hospitalidade sustentável.

    No entanto, em 30 de junho, a própria Câmara revogou a resolução que servia de base ao processo. Com isso, o Departamento para o Sul reconheceu a mudança de posição do município e determinou, em 1º de julho, a revogação da Autorização Única.

    O projeto de grupo JHSF Participações prevê a construção de um hotel cinco estrelas com 50 quartos, 30 vilas de alto padrão entre 200 e 500 metros quadrados, restaurantes, instalações comerciais e turísticas, uma marina e um campo de golfe.

    O empreendimento, porém, provocou protestos por ativistas ambientais, moradores da região e representantes de movimentos políticos. Em meio à pressão, o governo italiano revogou a autorização concedida para a construção.

    Em nota, a Tavolara Bay Srl declarou estar "profundamente perplexa" com a decisão e afirmou que sempre atuou em conformidade com o procedimento legal relacionado à Zona Econômica Especial.

    Além disso, informou que está analisando o caso com sua equipe jurídica para definir os próximos passos "visando honrar nossos compromissos de longo prazo".

    "Como investidores privados, queremos apenas expressar nosso profundo espanto e grande preocupação com a incerteza do quadro legislativo", reforçou o grupo brasileiro. .

Ansa - Brasil
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